domingo, 29 de maio de 2016

Obrigada por existir

Chame de acaso, destino, combinado de última hora, não importa...finalmente, após tantos meses, nos vimos. Quando eu pensei em fugir, não dava mais tempo. Lá estava você, lindo como sempre, usando um belo suéter e o par de óculos que tanto gosto. Você, que tantas vezes eu imaginei e sonhei a respeito, parou bem na minha frente como se quisesse dizer: "ei, olhe para mim, sou real!".
Sim, você é. Mais do que isso, você é realmente incrível. Todas as imagens desconexas que construí a seu respeito durante esses meses se encaixaram perfeitamente na figura do garoto que timidamente me cumprimentou na porta do cinema. Agora tudo faz sentido...seu toque, seu cheiro, sua voz, seu rosto...está tudo conectado num ser humano só.
Meus pensamentos viraram emaranhados e mil borboletas voaram em meu estômago, mas não trocaria aquilo por nada, pelo contrário, desejo mais dias assim. Mais dias de emoção, mais dias de nervosismo, mais dias de você. Mais dias de nós. Mais dias em que eu me derreta em seu abraço, que eu possa te tocar apenas para provar para mim mesma que sim, você existe. 
Toda a minha racionalidade, minha certeza a respeito dos meus sentimentos se esvaíram de meu corpo como um simples perfume volátil. Não me pertenciam mais. Em troca, um velho sentimento conhecido retomou seu lugar em meu peito. Será possível voltar a sentir tanta coisa num espaço tão curto de tempo? Pelo simples fato de ouvir sua voz, te ver sorrir, poder te tocar...isso foi suficiente para me fazer relembrar de tudo aquilo? Parece que sim.
Não sei mais o que dizer, devo apenas agradecer. Você arrancou meu sorriso mais sincero em muitos dias. Em todos os momentos, bons ou ruins, você me apoiou e ajudou. Você me mostrou que todo mundo tem algo de especial, até eu, mesmo com todos os defeitos. Você me ensinou que existe um outro tipo de amor, um pertencente ao lado bonito, que nos faz imaginar como seríamos daqui 30 anos. Eu imagino meu futuro...você imagina o seu? 
Ou devo dizer o nosso? 

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Recaída noturna

   A pior parte de tudo isso é lembrar que um dia você já foi meu. Que eu podia contar com sua presença, afinal, éramos "nós", não "você" e "eu". E agora? Chegamos ao ponto de você me prometer que não iria interromper minha vida. É absurdo, no mínimo.
   Como pessoas que tanto se amaram conseguem conviver diariamente sem mesmo trocar um olhar, dizer o "olá" tímido? Como você consegue não pensar em mim, enquanto finjo não pensar em você? Como o bem-estar do outro passou a ser insignificante de uma hora para outra? Por favor, me diga: como você foi capaz de me esquecer?
   Não serei hipócrita nesse ponto e dizer que não penso em você, é mentira. Mas não penso mais com tanta frequência. Obviamente, ainda me pego com os olhos presos no seu jeito de vez em quando, e tenho que me forçar a desviá-los. Tenho que me forçar a não pensar, não lembrar, não sentir. 
   É desumano. Insalubre. Uma tortura diária.
   Por você não estar em minha vida, a poesia parece perder a rima, a música perde a melodia, os beijos perdem o gosto. Nem mesmo do seu cheiro, que caía tão bem no meu moletom, consigo me lembrar. Será que algum dia sua lembrança também irá evaporar-se da minha memória? 
   Por enquanto, tento apenas substituí-la. Estou em busca de novos gostos, novos cheiros, novas lembranças...você me perdoa? Sinto muito, mas te esperei por tempo demasiado, não há mais um minuto sequer sobrando. Seu tempo para mim também acabou? 
   Irrelevante tentar, você está preso a mim como uma tatuagem que eu tento esconder com maquiagem. Pouco importa o que sinto, o mundo pensa que te esqueci. Talvez eu devesse mesmo. Você aí fez tão bem por aqui. Está tão bom sem você que eu nem sei por que é que você não vem..