Querido Futuro, a partir de hoje sou, oficialmente, uma universitária. Uma realidade que parecia tão distante mas, após quedas e dificuldades, cá está. Instalou-se no meu presente e, admito, está me deixando feliz:
Fomos eu e meu pai fazer minha matrícula na faculdade. Imagine só..eu, universitária. O processo demorou poucos minutos, a papelada estava pronta. Tudo o que o simpático rapaz que nos atendeu disse foi "bem-vinda". Foi ali, naquele momento, que eu passei a fazer parte de algo maior do que o mundinho em que antes me encaixava. Minha vida acadêmica começou naquela sala.
Com o horário das aulas em mãos, a primeira boa surpresa: aulas curiosas como "Poder e Soberania" e "Introdução ao Pensamento Teológico". Devo dizer que fiquei curiosa. Espero que essas e as demais aulas, com duração de 3h e 30 min, sejam realmente boas.
Como tudo estava resolvido, meu pai e eu decidimos explorar um pouco aquela universidade tão tradicional. Ao percorrer o primeiro corredor, tive a sensação de voltar para a época em que o pé direito era alto e os arcos estavam em moda. Sem falar do piso de madeira com aquele rangido característico de coisas instaladas há décadas. Encantador.
E, em meio ao nosso pequeno tour, descobrimos uma pequena capela. Belíssima, no mínimo. Não havia mais ninguém e decidimos nos sentar um pouco e apreciar o local. Ao olhar para meu pai, vi seus olhos marejados. Ele não podia acreditar que a filha mais nova adentrava essa nova etapa da vida. Havia certo orgulho em sua expressão. Caramba, como eu chorei ao ver aquilo. Meu pai, sempre austero, estava chorando por uma conquista minha. Guardarei tal momento para sempre na memória.
Então, Futuro, depois de te contar tudo isso, basta dizer uma última coisa: estou pronta para novas aventuras. Guarde coisas boas para mim e espere sempre a excelência. Minha vida começa agora.
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
domingo, 18 de dezembro de 2016
Vergonha também é sentimento
10:28. Parece uma boa hora para me arrepender. Pouco antes das 9, acordei daquele jeito preguiçoso bem característico de quem fez o que não devia. O quarto estava pouco iluminado, o suficiente para que eu visse a bagunça em que tinha me metido.
Sentei-me na cama. No chão, jaziam as roupas do dia anterior. Ao meu lado, ele dormia de modo sereno. Sabia que, ao acordar, iria me encarar com grandes olhos verdes. Pelo menos era o que eu lembrava. O quê eu tinha com olhos verdes, afinal?
A conhecida dor de cabeça já me acordava com suas pontadas. Maldito champanhe. Devia tê-lo dispensado enquanto podia. Tentando fazer o mínimo barulho possível, enrolei-me no lençol e parti na busca de um chuveiro. Definitivamente, precisava de um banho.
Ao entrar no banheiro, dei de cara com o espelho. Por incrível que pareça, eu estava ridiculamente apresentável. A maquiagem um pouco borrada, é verdade, e não havia mais a tonalidade do batom em meus lábios. Mas os cachos pendiam bagunçados nos ombros e não identificava vestígios de minhas olheiras.
Abri todas as gavetas em busca de um elástico. Ao encontrá-lo, enrolei o cabelo em um coque bagunçado e entrei no chuveiro. Apenas água gelada. Talvez eu merecesse. Sequei-me com a única toalha disponível, e a vergonha começava a ruborizar minhas bochechas. O que eu tinha feito?
Entrei no quarto, recolhi minhas roupas e vesti-as em silêncio. Onde é que estava meu sapato? Encontrei-os debaixo de algumas almofadas. Será que eu devia deixar um bilhete? Mas afinal, o que é que eu iria escrever? Melhor sair enquanto não havia ninguém acordado para me questionar a respeito. Dei uma última olhada para seu cabelo loiro e tentei registrar na mente todo aquele ambiente.
Saí na ponta dos pés, rumo à luz do dia que, mais tarde, eu iria descobrir que me julgaria.
Sentei-me na cama. No chão, jaziam as roupas do dia anterior. Ao meu lado, ele dormia de modo sereno. Sabia que, ao acordar, iria me encarar com grandes olhos verdes. Pelo menos era o que eu lembrava. O quê eu tinha com olhos verdes, afinal?
A conhecida dor de cabeça já me acordava com suas pontadas. Maldito champanhe. Devia tê-lo dispensado enquanto podia. Tentando fazer o mínimo barulho possível, enrolei-me no lençol e parti na busca de um chuveiro. Definitivamente, precisava de um banho.
Ao entrar no banheiro, dei de cara com o espelho. Por incrível que pareça, eu estava ridiculamente apresentável. A maquiagem um pouco borrada, é verdade, e não havia mais a tonalidade do batom em meus lábios. Mas os cachos pendiam bagunçados nos ombros e não identificava vestígios de minhas olheiras.
Abri todas as gavetas em busca de um elástico. Ao encontrá-lo, enrolei o cabelo em um coque bagunçado e entrei no chuveiro. Apenas água gelada. Talvez eu merecesse. Sequei-me com a única toalha disponível, e a vergonha começava a ruborizar minhas bochechas. O que eu tinha feito?
Entrei no quarto, recolhi minhas roupas e vesti-as em silêncio. Onde é que estava meu sapato? Encontrei-os debaixo de algumas almofadas. Será que eu devia deixar um bilhete? Mas afinal, o que é que eu iria escrever? Melhor sair enquanto não havia ninguém acordado para me questionar a respeito. Dei uma última olhada para seu cabelo loiro e tentei registrar na mente todo aquele ambiente.
Saí na ponta dos pés, rumo à luz do dia que, mais tarde, eu iria descobrir que me julgaria.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Caos natural
Apesar de eu ter minhas dúvidas, há uma certeza sobre a natureza: o universo tende ao caos. Quando ouvi isso pela primeira vez, fiquei espantada com tamanha sinceridade. Não havia brecha alguma para suavizar o que se dizia de forma tão direta. Era aquilo mesmo e ponto final.
Outra verdade científica, desdobramento da anteriormente citada, é que a desordem é natural e espontânea e, para se organizar o desorganizado, energia é gasta e algo muito maior é bagunçado. Como minha habilidade em física é restrita ao entendimento de conceitos - veja bem, sou uma mera pessoa de humanas - passei a aplicar meu novo conhecimento em meu cotidiano. Obviamente, meus pensamentos convergiram ao mesmo ponto de sempre...ou melhor, ao mesmo alguém.
Estranho pensar que estávamos extremamente bem até uma semana atrás. Como o tempo é louco, não é mesmo? Longo, eu diria. Relativo, no mínimo. Talvez "extremamente bem" não seja a melior expressão. Estava mais para "bem até a segunda página". Relacionamentos de fachada nunca ultrapassam tal limite.
Mas voltando ao assunto, comecei a pensar em nós dois quando ainda existíamos. Efetivamente, organizamos muitas coisas fora de ordem mas, para que isso fosse possível, gastamos uma energia incalculável em autocontrole e desorganizamos todo o resto. Passamos a tolerar os detalhes antes incômodos e nos vimos como estranhos. As conversas não mais fluíam, o toque não existia, o sentimento era superficial.
Necessidade? Carência? Saudade? Não sei qual palavra usar..,não sei nem mesmo se alguma dessa opções é válida. Minha única certeza é que o caos era tão sobrenadante que o fim foi recebido como velho amigo. Foi bem-vindo, até mesmo desejado. Digamos que foi fácil.
Demorou muito para que eu percebesse que é natural voltar para você. Mas isso significa estar em meio ao caos, um interminável buraco negro que suga todas as minhas forças e me sufoca. Prende. Machuca. Maltrata. Tortura.
O objetivo restante é gastar a energia que sobrou para organizar o que você bagunçou e, admito, será uma ótima experiência. Poderei pensar em mim sem mais me preocupar contigo. A vida é mais leve sem seu peso me puxando para baixo.
Não falo em esquecimento pois isto é impossível. Nem gostaria disso. Tudo o que desejo é, um dia, olhar para trás e contar essas histórias com certo tom divertido na voz, como que relembrando de um sonho doce de uma noite de verão. Basta desejar boa sorte para que faça o mesmo, afinal, meu amor é como o de qualquer ser humano - e um pouco mais.
Outra verdade científica, desdobramento da anteriormente citada, é que a desordem é natural e espontânea e, para se organizar o desorganizado, energia é gasta e algo muito maior é bagunçado. Como minha habilidade em física é restrita ao entendimento de conceitos - veja bem, sou uma mera pessoa de humanas - passei a aplicar meu novo conhecimento em meu cotidiano. Obviamente, meus pensamentos convergiram ao mesmo ponto de sempre...ou melhor, ao mesmo alguém.
Estranho pensar que estávamos extremamente bem até uma semana atrás. Como o tempo é louco, não é mesmo? Longo, eu diria. Relativo, no mínimo. Talvez "extremamente bem" não seja a melior expressão. Estava mais para "bem até a segunda página". Relacionamentos de fachada nunca ultrapassam tal limite.
Mas voltando ao assunto, comecei a pensar em nós dois quando ainda existíamos. Efetivamente, organizamos muitas coisas fora de ordem mas, para que isso fosse possível, gastamos uma energia incalculável em autocontrole e desorganizamos todo o resto. Passamos a tolerar os detalhes antes incômodos e nos vimos como estranhos. As conversas não mais fluíam, o toque não existia, o sentimento era superficial.
Necessidade? Carência? Saudade? Não sei qual palavra usar..,não sei nem mesmo se alguma dessa opções é válida. Minha única certeza é que o caos era tão sobrenadante que o fim foi recebido como velho amigo. Foi bem-vindo, até mesmo desejado. Digamos que foi fácil.
Demorou muito para que eu percebesse que é natural voltar para você. Mas isso significa estar em meio ao caos, um interminável buraco negro que suga todas as minhas forças e me sufoca. Prende. Machuca. Maltrata. Tortura.
O objetivo restante é gastar a energia que sobrou para organizar o que você bagunçou e, admito, será uma ótima experiência. Poderei pensar em mim sem mais me preocupar contigo. A vida é mais leve sem seu peso me puxando para baixo.
Não falo em esquecimento pois isto é impossível. Nem gostaria disso. Tudo o que desejo é, um dia, olhar para trás e contar essas histórias com certo tom divertido na voz, como que relembrando de um sonho doce de uma noite de verão. Basta desejar boa sorte para que faça o mesmo, afinal, meu amor é como o de qualquer ser humano - e um pouco mais.
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