Neste momento, estou em um trem. Pouco importa meu destino ou ponto de partida. Interesso-me pela jornada, pelas imagens que passam tão rápidas por minha janela, pelo senhor sentado ao meu lado, talvez com um destino diferente do meu. Quais serão seus planos para hoje?
Enquanto viajo por lugares estáticos, minha mente fica presa a lembranças do passado. Eu o conheci logo após voltar de onde agora estou. E talvez seja por isso que eu não pare de me perguntar se, intimamente, não o estou esperando na minha volta. Que bela surpresa seria revê-lo depois de tanto tempo. Será que nos reconheceríamos? Ambos com outros olhares, outras cicatrizes, outras histórias para contar. Será que eu continuaria achando-o interessante? Ou será que voltamos a ser os estranhos que uma vez fomos?
É tolice levantar estas questões. Quando eu voltar, ele não estará me esperando, há coisas mais importantes a fazer. Entretanto, serei recebida por outro abraço, outro perfume, por alguém com quem eu não compartilho uma história tão belamente turbulenta. Pelo contrário, tudo ficou tão fácil, e isso é tão estranho. Onde estão as confusões, as brigas sem motivo, os términos inesperados e as voltas apaixonadas? Toda vez sou recebida com beijos e sorrisos, pois sempre tudo está bem. E se não estiver, ele fará alguma piadinha para me fazer rir e deixar o clima mais leve. Não sei lidar com esse tipo de coisa.
Faz apenas dois meses, mas já parece tanto. No fundo, espero pelo dia em que terei meu coração partido, para que eu possa encaixá-lo na mesma categoria dos demais. Mas, até agora, ele é diferente de todos que já tive. Será este o fim ou o começo de tudo?