Neste momento, estou em um trem. Pouco importa meu destino ou ponto de partida. Interesso-me pela jornada, pelas imagens que passam tão rápidas por minha janela, pelo senhor sentado ao meu lado, talvez com um destino diferente do meu. Quais serão seus planos para hoje?
Enquanto viajo por lugares estáticos, minha mente fica presa a lembranças do passado. Eu o conheci logo após voltar de onde agora estou. E talvez seja por isso que eu não pare de me perguntar se, intimamente, não o estou esperando na minha volta. Que bela surpresa seria revê-lo depois de tanto tempo. Será que nos reconheceríamos? Ambos com outros olhares, outras cicatrizes, outras histórias para contar. Será que eu continuaria achando-o interessante? Ou será que voltamos a ser os estranhos que uma vez fomos?
É tolice levantar estas questões. Quando eu voltar, ele não estará me esperando, há coisas mais importantes a fazer. Entretanto, serei recebida por outro abraço, outro perfume, por alguém com quem eu não compartilho uma história tão belamente turbulenta. Pelo contrário, tudo ficou tão fácil, e isso é tão estranho. Onde estão as confusões, as brigas sem motivo, os términos inesperados e as voltas apaixonadas? Toda vez sou recebida com beijos e sorrisos, pois sempre tudo está bem. E se não estiver, ele fará alguma piadinha para me fazer rir e deixar o clima mais leve. Não sei lidar com esse tipo de coisa.
Faz apenas dois meses, mas já parece tanto. No fundo, espero pelo dia em que terei meu coração partido, para que eu possa encaixá-lo na mesma categoria dos demais. Mas, até agora, ele é diferente de todos que já tive. Será este o fim ou o começo de tudo?
Tea and Hardcover
sexta-feira, 21 de julho de 2017
terça-feira, 25 de abril de 2017
Take me back
Parece ser tão tarde para chorar...o que importa? Sempre gostei da madrugada. A questão é que finalmente encontrei uma música que me emocionasse. Consigo me identificar tanto com a letra que as lágrimas simplesmente rolam soltas com mil imagens em minha mente. Tantas lembranças. Serão elas boas ou ruins? Às vezes sonho com elas...ou serão pesadelos? Enfim, ouçam. Valeu a pena para mim.
The night we met
The night we met
I am not the only traveler
Who has not repaid his debt
I've been searching for a trail to follow again
Take me back to the night we met
Who has not repaid his debt
I've been searching for a trail to follow again
Take me back to the night we met
And then I can tell myself
What the hell I'm supposed to do
And then I can tell myself
Not to ride along with you
What the hell I'm supposed to do
And then I can tell myself
Not to ride along with you
I had all and then most of you
Some and now none of you
Take me back to the night we met
I don't know what I'm supposed to do
Haunted by the ghost of you
Oh, take me back to the night we met
Some and now none of you
Take me back to the night we met
I don't know what I'm supposed to do
Haunted by the ghost of you
Oh, take me back to the night we met
When the night was full of terrors
And your eyes were filled with tears
When you had not touched me yet
Oh, take me back to the night we met
And your eyes were filled with tears
When you had not touched me yet
Oh, take me back to the night we met
I had all and then most of you
Some and now none of you
Take me back to the night we met
I don't know what I'm supposed to do
Haunted by the ghost of you
Take me back to the night we met
Some and now none of you
Take me back to the night we met
I don't know what I'm supposed to do
Haunted by the ghost of you
Take me back to the night we met
Compositores: Ben Schneider
sábado, 4 de março de 2017
Ponto final
Já faz um tempo que ando um tanto quanto reticente em meus textos...criei o blog para falar de literatura, mas acabei escrevendo sobre situações pessoais da minha vida. Transformei-o num diário online. Mas, desde que me afastei de certas pessoas antes fundamentais para meus ensaios, escrever aqui perdeu um pouco do sentido. Mesmo assim continuei, desviei a atenção e mudei de interlocutor. Por mais que a qualidade não fosse a mesma, era um jeito de continuar escrevendo.
Agora minha vida voltou ao ritmo frenético e não tenho mais tanto tempo para o blog. Decidi continuar escrevendo. Então me fizeram de idiota de um jeito que eu nunca vi antes, e olha que já me enrolaram muito. Sabe aquela pessoa incrível que você simplesmente não consegue ver nada de ruim? Pois é, foi alguém assim que me deu um belo soco no estômago. Pelo menos sua máscara caiu e eu não o verei mais como modelo do bom. A verdade é que não quero gastar minhas palavras com alguém assim.
Juntando todos os pontos, decidi para de escrever. Pelo menos por hora, não mais postarei nada nesta página, não falarei mais de (e com) pessoas assim. Chega de falar de quem não merece. Até eu me inspirar novamente, deixarei o blog parado, perdendo-se no tempo. Aos leitores assíduos, obrigada. Aos demais, sinto muito. Concluí tal projeito sem a paciência de ser feita de idiota como eu tinha antes. Chamarei isso de evolução. A vida continua.
Obrigada.
Agora minha vida voltou ao ritmo frenético e não tenho mais tanto tempo para o blog. Decidi continuar escrevendo. Então me fizeram de idiota de um jeito que eu nunca vi antes, e olha que já me enrolaram muito. Sabe aquela pessoa incrível que você simplesmente não consegue ver nada de ruim? Pois é, foi alguém assim que me deu um belo soco no estômago. Pelo menos sua máscara caiu e eu não o verei mais como modelo do bom. A verdade é que não quero gastar minhas palavras com alguém assim.
Juntando todos os pontos, decidi para de escrever. Pelo menos por hora, não mais postarei nada nesta página, não falarei mais de (e com) pessoas assim. Chega de falar de quem não merece. Até eu me inspirar novamente, deixarei o blog parado, perdendo-se no tempo. Aos leitores assíduos, obrigada. Aos demais, sinto muito. Concluí tal projeito sem a paciência de ser feita de idiota como eu tinha antes. Chamarei isso de evolução. A vida continua.
Obrigada.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2017
Ideias soltas
Quando disse para ele o que sentia, tinha uma ideia fixa em minha mente. Esperava, no fundo, encontrar o mesmo garoto de antes. Aquele que me olhava de um jeito tímido e estava completamente disponível para mim. Mas o tempo passou e as coisas mudaram.
Assim como tomei decisões no passado que me levaram até aqui, ele seguiu sua vida. Fez a coisa certa, não podia esperar para sempre. Afinal, demorei tanto para perceber a beleza de seu amor puro. Mas as coisas são assim mesmo. Acontecem na hora errada, sempre um pouco atrasadas.
É claro que espero por uma segunda chance, mas não o culparei se recusar. Devo compreender sua decisão. Também não irei insistir ou tentar convencê-lo de minhas qualidades. Resolveremos isso com o tempo. Mas preciso parar de esperar o passado e encarar o presente. O rapaz já não tão tímido que não tem todo o tempo para mim. Que cresceu e cansou de esperar. Aquela pessoa maravilhosa com quem eu me acostumei a sonhar.
Agora uma pequena nota de rodapé que nada tem a ver com esse texto: nas últimas semanas, tenho escrito coisas mais para mim do que para qualquer outra pessoa, e tenho postado por simples hábito. Se as palavras parecem tolas e de pouca importância, o problema é todo meu quanto pessoa e escritora. Se meus problemas pequenos parecem fúteis demais para sua superioridade, apenas pare de me ler. É simples. Pare de julgar e achar que suas dificuldades são maiores do que as minhas. Aproveite sua vida e nunca mais pense na minha.
Obrigada.
Assim como tomei decisões no passado que me levaram até aqui, ele seguiu sua vida. Fez a coisa certa, não podia esperar para sempre. Afinal, demorei tanto para perceber a beleza de seu amor puro. Mas as coisas são assim mesmo. Acontecem na hora errada, sempre um pouco atrasadas.
É claro que espero por uma segunda chance, mas não o culparei se recusar. Devo compreender sua decisão. Também não irei insistir ou tentar convencê-lo de minhas qualidades. Resolveremos isso com o tempo. Mas preciso parar de esperar o passado e encarar o presente. O rapaz já não tão tímido que não tem todo o tempo para mim. Que cresceu e cansou de esperar. Aquela pessoa maravilhosa com quem eu me acostumei a sonhar.
Agora uma pequena nota de rodapé que nada tem a ver com esse texto: nas últimas semanas, tenho escrito coisas mais para mim do que para qualquer outra pessoa, e tenho postado por simples hábito. Se as palavras parecem tolas e de pouca importância, o problema é todo meu quanto pessoa e escritora. Se meus problemas pequenos parecem fúteis demais para sua superioridade, apenas pare de me ler. É simples. Pare de julgar e achar que suas dificuldades são maiores do que as minhas. Aproveite sua vida e nunca mais pense na minha.
Obrigada.
domingo, 26 de fevereiro de 2017
Um parágrafo porque sim
Querida Vida,
Que palavras usarei para descrever meus sentimentos por você? Em 2016 você colocou no meu caminho muitas pessoas maravilhosas, e todas de uma vez só para que eu escolhesse. Mas eu, você sabe, sou uma criatura indecisa e fiquei enrolando até o último segundo. Portanto, acabei sem ninguém. Quantas ironias, Dona Vida. Por que então que isso não é suficiente? Afinal, eu já havia percebido isso há muito tempo. Mas não, você, tão queridinha e sem nada de útil para fazer, decide esfregar na minha cada que todos seguiram seus respectivos caminhos sem mim, só porque fui burra o bastante para não tomar uma decisão. Obrigada pela lição, Vida.
PS: eu te odeio.
Que palavras usarei para descrever meus sentimentos por você? Em 2016 você colocou no meu caminho muitas pessoas maravilhosas, e todas de uma vez só para que eu escolhesse. Mas eu, você sabe, sou uma criatura indecisa e fiquei enrolando até o último segundo. Portanto, acabei sem ninguém. Quantas ironias, Dona Vida. Por que então que isso não é suficiente? Afinal, eu já havia percebido isso há muito tempo. Mas não, você, tão queridinha e sem nada de útil para fazer, decide esfregar na minha cada que todos seguiram seus respectivos caminhos sem mim, só porque fui burra o bastante para não tomar uma decisão. Obrigada pela lição, Vida.
PS: eu te odeio.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
Comédia ou tragédia?
Quando toda a confusão começou, tinha certeza de uma coisa: eu era uma idiota querendo fazer piquenique num campo minado. Seria uma ideia brilhante se não fosse estúpida. Afinal, qual seria o problema em me apaixonar por um grande amigo e, ainda por cima, decidir contar para ele? Nenhum! Então pronto, ele soube. Simples assim. Sou mesmo uma retardada.
A questão não é ter ou não dito a verdade, uma hora ou outra ela apareceria. O problema foi aceitar entrar numa encruzilhada sem placa indicando a saída. Fiquei perdida no meio de tudo aquilo. Faz tempo que não escrevo...perdi o jeito com as palavras.
Direto ao ponto: nós saímos e foi ótimo. Tão maravilhoso que confundi completamente o que estava acontecendo, e acreditei que talvez, só talvez, ele sentisse o mesmo por mim. Confesso que fiquei decepcionada comigo mesma. Cometi um erro de principiante. Isso não deveria acontecer com alguém acostumado com o inferno sentimental. As cicatrizes não foram em vão.
Mas como ele foi absolutamente adorável, eu obviamente confundi tudo. Mas a verdade é que ele não sente nada por mim. Para ser sincera, ele não quer nem pensar no assunto agora. E tudo bem, talvez um dia eu saiba o motivo. Eventualmente seremos amigos novamente e ele vai desabafar seus problemas comigo. Espero.
Eu, com meu lado sensitivo extremamente capenga, acho que aconteceu algo sério. Uma coisa ruim a ponto de mudar seu comportamento comigo em questão de poucos dias. Nesse momento, devo ser a amiga que está ao seu lado em horas de necessidade. Serei esta pessoa e todas que ele precisar. Mas meu outro lado, o romântico incuráve extremamente burro e afetado pelas milhares de horas lendo, acredita que eu poderia melhorar a situação. Quem sabe, ser aquele porto seguro ou simplesmente uma válvula de escape. Talvez eu pudesse preencher as lacunas. Não acho que seja possível, lado racional falando.
É mais provável que ele me dispense para resolver sua vida primeiro, e eu deveria aceitar isso tranquilamente. Só na minha cabeça ele estaria jogando fora a oportunidade de ter alguém ao seu lado. Imagine só. Isso nem sequer passa por sua cabeça.
Estou realmente tentando enxergar a beleza oculta em meio a essa tragédia, mas não vejo nada.
A questão não é ter ou não dito a verdade, uma hora ou outra ela apareceria. O problema foi aceitar entrar numa encruzilhada sem placa indicando a saída. Fiquei perdida no meio de tudo aquilo. Faz tempo que não escrevo...perdi o jeito com as palavras.
Direto ao ponto: nós saímos e foi ótimo. Tão maravilhoso que confundi completamente o que estava acontecendo, e acreditei que talvez, só talvez, ele sentisse o mesmo por mim. Confesso que fiquei decepcionada comigo mesma. Cometi um erro de principiante. Isso não deveria acontecer com alguém acostumado com o inferno sentimental. As cicatrizes não foram em vão.
Mas como ele foi absolutamente adorável, eu obviamente confundi tudo. Mas a verdade é que ele não sente nada por mim. Para ser sincera, ele não quer nem pensar no assunto agora. E tudo bem, talvez um dia eu saiba o motivo. Eventualmente seremos amigos novamente e ele vai desabafar seus problemas comigo. Espero.
Eu, com meu lado sensitivo extremamente capenga, acho que aconteceu algo sério. Uma coisa ruim a ponto de mudar seu comportamento comigo em questão de poucos dias. Nesse momento, devo ser a amiga que está ao seu lado em horas de necessidade. Serei esta pessoa e todas que ele precisar. Mas meu outro lado, o romântico incuráve extremamente burro e afetado pelas milhares de horas lendo, acredita que eu poderia melhorar a situação. Quem sabe, ser aquele porto seguro ou simplesmente uma válvula de escape. Talvez eu pudesse preencher as lacunas. Não acho que seja possível, lado racional falando.
É mais provável que ele me dispense para resolver sua vida primeiro, e eu deveria aceitar isso tranquilamente. Só na minha cabeça ele estaria jogando fora a oportunidade de ter alguém ao seu lado. Imagine só. Isso nem sequer passa por sua cabeça.
Estou realmente tentando enxergar a beleza oculta em meio a essa tragédia, mas não vejo nada.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
PS: sinto sua falta
Este texto é para meu melhor amigo, alguém querido que tive a oportunidade de conhecer. Vou começar do começo. Nem nos falávamos direito, tínhamos apenas alguns amigos em comum e isso era tudo. Então nos inscrevemos para as mesmas aulas eletivas e passamos a olhar o outro de uma forma diferente. De uma forma mais interessante, mais próxima.
Ele me achou uma sonhadora maluquinha, eu o achei intrigantemente reservado. Não sei se um elo foi criado, mas não era mais a mesma coisa entre nós. Éramos mais do que desconhecidos na mesma roda de amigos. Aos poucos, passamos a conversar e ele começou a me acompanhar até em casa. Imagine só, não queria que eu voltasse sozinha no escuro. Rapazes assim não são mais feitos.
E entre caminhadas e sorrisos trocados, decidimos dar uma chance para algo tão novo que nem havia nome. Não estávamos namorando mas estávamos juntos. Sem pressão, sem rótulos. Parecia bom até que isso se tornou um problema. As pessoas perguntavam e não tínhamos respostas.
Além disso, eu não fui justa com ele. Meu coração pertencia a outro garoto -levou muito tempo para eu perceber o quão imprestável ele era, mas tudo bem, todos temos que crescer uma hora- e não me entreguei da maneira que ele merecia. Para falar a verdade, fui uma megera. Implicava com as menores coisas, não valorizava o carinho que ele me dava. O encanto foi se perdendo no tempo.
Ele dizia gostar do meu mistério. Eu, uma jovem aspirante a escritora, com sonhos que transbordavam, tinha um mistério de que ele gostava. Gostaria de saber qual seria. Enfim, terminamos de um jeito ruim e paramos de nos falar.
No ano seguinte, caímos na mesma sala no colégio. De início, achei que fosse karma ou uma reviravolta do universo contra mim, mas não foi tão ruim assim. Participamos de um mesmo projeto em que fui líder e ele meu vice. Tínhamos que conversar o tempo todo para garantir o sucesso. Então retomamos a amizade com a mesma velocidade em que se cultiva uma flor: gradualmente, com carinho e paciência. Ele voltou a ser meu melhor amigo e porto seguro.
Enfim chegou o dia da nossa colação de grau. Estávamos todos tão felizes, o ciclo chegava ao fim e estávamos ali para celebrá-lo. Nos demos um abraço tão longo e apertado depois de toda aquela cerimônia...parecia que nenhum de nós queria soltar aquele doce conforto. Fiquei com isso gravado na memória.
Assim como o dia em que saiu a lista de chamada de uma faculdade que ambos havíamos prestado. Esperamos juntos, comemoramos juntos. Com as pernas apoiadas em seu colo e meus dedos entrelaçados aos dele, esperamos pelo momento em que pintariam nossos rostos e nos dariam os parabéns. Foi um dia tão feliz.
A festa de formatura também foi. É dela que me lembro mais. Passei um bom tempo me arrumando, queria estar bonita. Ao contrário do que muitos pensavam, eu estava bem e queria aproveitar a noite -o mesmo rapaz imprestável de antes foi novamente ridículo comigo- e aquele seria o momento perfeito para pensar em outra coisa. Decidi beber, algo que nunca fazia, e já estava rindo sozinha quando ele chegou. Fomos até o bar e ele entrelaçou seu braço em minha cintura. Era tão boa a sensação de estar novamente em seu abraço.
Não pensei nas consequências e passamos aquela noite como um casal: dançamos, nos beijamos, cantamos e rimos alto. Não importavam os olhares que nos eram dirigidos, estávamos bem. O dia seguinte foi o problema.
Sem dormir direito, só pensava em falar com ele e resolver as coisas. Eu estava animada para as novas oportunidades. Mas recebi como resposta que não devíamos esquecer o que aconteceu, mas também não era hora de nos apressarmos. Caramba, como aquilo magoou. Talvez eu esperasse um final feliz, mas como pedir isso? Eu o magoei tanto no passado. Enfim, não nos falamos desde esse dia.
Agora, com todo o resto acontecendo, me pego pensando no quanto ele faz falta. Sim, sinto saudades, mas não sei como lhe dizer tal coisa. Também tenho medo da rejeição. Restou apenas ver os snaps que ele posta e lembrar dos momentos bons que ficaram gravados na memória. Às vezes eles aparecem nos sonhos. E tudo o que eu me pergunto é se ele pensou em mim depois do que aconteceu.
Eis aí meu mistério. Por baixo da postura austera e olhar introspectivo, tenho os medos mais infantis que uma garota pode ter. Imagine só. Acho que me apoixonei por meu melhor amigo, mas não sei lidar com isso de uma forma melhor.
Tudo isso foi apenas uma confissão que não foi feita anteriormente. Talvez eu precisasse admitir. Tenho saudades.
Ele me achou uma sonhadora maluquinha, eu o achei intrigantemente reservado. Não sei se um elo foi criado, mas não era mais a mesma coisa entre nós. Éramos mais do que desconhecidos na mesma roda de amigos. Aos poucos, passamos a conversar e ele começou a me acompanhar até em casa. Imagine só, não queria que eu voltasse sozinha no escuro. Rapazes assim não são mais feitos.
E entre caminhadas e sorrisos trocados, decidimos dar uma chance para algo tão novo que nem havia nome. Não estávamos namorando mas estávamos juntos. Sem pressão, sem rótulos. Parecia bom até que isso se tornou um problema. As pessoas perguntavam e não tínhamos respostas.
Além disso, eu não fui justa com ele. Meu coração pertencia a outro garoto -levou muito tempo para eu perceber o quão imprestável ele era, mas tudo bem, todos temos que crescer uma hora- e não me entreguei da maneira que ele merecia. Para falar a verdade, fui uma megera. Implicava com as menores coisas, não valorizava o carinho que ele me dava. O encanto foi se perdendo no tempo.
Ele dizia gostar do meu mistério. Eu, uma jovem aspirante a escritora, com sonhos que transbordavam, tinha um mistério de que ele gostava. Gostaria de saber qual seria. Enfim, terminamos de um jeito ruim e paramos de nos falar.
No ano seguinte, caímos na mesma sala no colégio. De início, achei que fosse karma ou uma reviravolta do universo contra mim, mas não foi tão ruim assim. Participamos de um mesmo projeto em que fui líder e ele meu vice. Tínhamos que conversar o tempo todo para garantir o sucesso. Então retomamos a amizade com a mesma velocidade em que se cultiva uma flor: gradualmente, com carinho e paciência. Ele voltou a ser meu melhor amigo e porto seguro.
Enfim chegou o dia da nossa colação de grau. Estávamos todos tão felizes, o ciclo chegava ao fim e estávamos ali para celebrá-lo. Nos demos um abraço tão longo e apertado depois de toda aquela cerimônia...parecia que nenhum de nós queria soltar aquele doce conforto. Fiquei com isso gravado na memória.
Assim como o dia em que saiu a lista de chamada de uma faculdade que ambos havíamos prestado. Esperamos juntos, comemoramos juntos. Com as pernas apoiadas em seu colo e meus dedos entrelaçados aos dele, esperamos pelo momento em que pintariam nossos rostos e nos dariam os parabéns. Foi um dia tão feliz.
A festa de formatura também foi. É dela que me lembro mais. Passei um bom tempo me arrumando, queria estar bonita. Ao contrário do que muitos pensavam, eu estava bem e queria aproveitar a noite -o mesmo rapaz imprestável de antes foi novamente ridículo comigo- e aquele seria o momento perfeito para pensar em outra coisa. Decidi beber, algo que nunca fazia, e já estava rindo sozinha quando ele chegou. Fomos até o bar e ele entrelaçou seu braço em minha cintura. Era tão boa a sensação de estar novamente em seu abraço.
Não pensei nas consequências e passamos aquela noite como um casal: dançamos, nos beijamos, cantamos e rimos alto. Não importavam os olhares que nos eram dirigidos, estávamos bem. O dia seguinte foi o problema.
Sem dormir direito, só pensava em falar com ele e resolver as coisas. Eu estava animada para as novas oportunidades. Mas recebi como resposta que não devíamos esquecer o que aconteceu, mas também não era hora de nos apressarmos. Caramba, como aquilo magoou. Talvez eu esperasse um final feliz, mas como pedir isso? Eu o magoei tanto no passado. Enfim, não nos falamos desde esse dia.
Agora, com todo o resto acontecendo, me pego pensando no quanto ele faz falta. Sim, sinto saudades, mas não sei como lhe dizer tal coisa. Também tenho medo da rejeição. Restou apenas ver os snaps que ele posta e lembrar dos momentos bons que ficaram gravados na memória. Às vezes eles aparecem nos sonhos. E tudo o que eu me pergunto é se ele pensou em mim depois do que aconteceu.
Eis aí meu mistério. Por baixo da postura austera e olhar introspectivo, tenho os medos mais infantis que uma garota pode ter. Imagine só. Acho que me apoixonei por meu melhor amigo, mas não sei lidar com isso de uma forma melhor.
Tudo isso foi apenas uma confissão que não foi feita anteriormente. Talvez eu precisasse admitir. Tenho saudades.
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