O escuro do teatro é a porta para um novo mundo, novas possibilidades, novos futuros. Tamanha emoção concentrada, o sentimento atingiu-me em cheio. Com os atores ri e chorei sem qualquer motivo aparente, simplesmente por relacionar uma fala e outra com o meu segredo, velho amor oculto. Questiono-me se ele também pensou em mim.
A maravilhosa obra foi finalizada com "seja você mesmo. Viva sua loucura", e foi aí que as lagrimas escorreram soltas. Será que eu posso mesmo cometer tal delírio? Devo eu mostrar o que sinto? Será possível viver isso intensamente?
Chorei e as luzes foram acesas. Não havia mais esconderijo para meu contrangimento, deveria voltar a ser fria. Será que, de relance, ele percebeu meu deslize?
Novamente tomada pela multidão e ainda incerta sobre o ocorrido, percebi que ele carregava um cordão prateado no pescoço, com um delicado aro pendurado. Um anel. Nossa antiga aliança. Por quê? Diga-me por que, eu quis gritar. Por que ele usou isso mesmo depois de uma semana sem me olhar? O que aquilo significa para ele? Será uma mera provocação?
Ao chegar em casa, olho-me no espelho. Vejo um reflexo borrado, as olheiras voltando a aparecer por baixo da gasta maquiagem. Tentei esconder meu verdadeiro estado todos esses dias, hoje não seria diferente. Mas, pensando bem, eu deveria ter ido de cara lavada e coração aberto, como quem diz "veja quem eu realmente sou sem você". Um monte de lixo quebrado.
O escuro do meu quarto foi, e será novamente esta noite, o abrigo da minha dúvida e saudade.
NOX
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Fugere urbem
Parece inconcebível escrever um texto cujo interlocutor não é você. Como uma prova sem crime, fica solto no ar. As frases estão desconexas, não há mais referências. Minhas palavras foram roubadas, junto com minha dignidade.
Aos poucos, estou me desfazendo de coisas que nem deveriam mais estar comigo. Estão me esquartejando em praça pública. Como dói ver meu sonho ser descontruído, queimado, apedrejado, esquecido. Parece que, depois de tudo, eu deixei de enxergar a realidade por passar tempo demais sonhando acordada. Serei sempre uma romântica. Que maçada.
Talvez eu devesse ler mais Machado do que Jane Austen. Sei lá, talvez eu te encaixasse em padrões reais e não mais na minha complexa idealizacão. Eu tinha meu Romantismo sem tédio. Morria não de tuberculose, mas de saudade. Sou uma escritora às avessas.
Eu poderia começar um diário e, intimamente, contar todos os meus dias para você desde quando te perdi. Se te entregaria, eu não sei. Nem acho que você leria sequer a introdução. É tudo muito delicado para sua grossura.
Mas, ironicamente, eu sou o polo frio. Sou a intensível da relação que perdurou mesmo depois de terminada. E eu, sendo a mais dura, sempre amei com mais fervor. Paixão, é o nome. Deixo-a de lado agora.
Não ousarei dizer que nunca nos amamos, mas a ideia transpassa por minha cabeça. Teria sido real ou apenas um delírio meu? Será que imaginei seu sentimento por mim?
Concluo que, depois de tantas idas e vindas, ou você se diverte com minha desgraça ou precisa de um psiquiatra. Marque uma consulta para mim também.
A meta agora é fugir, para o mais distante que eu conseguir. Admito, não tenho vergonha. Vou fugir de você e das esquinas que me lembram de nós dois. Vou fugir da cidade que abrigou nosso relacionamento, que foi o palco da nossa felicidade.
Sempre me vi como a capitã que não abandona seu barco. Cá estou, em pleno oceano com a água até meu pescoço. Perdi a oportunidade de sair daqui quando ainda tinha chances de salvação. Resta agora afundar com tudo aquilo que protegi por tanto tempo. Pelo menos posso dizer que aguentei até o fim.
Chegou a vez do meu final.
Aos poucos, estou me desfazendo de coisas que nem deveriam mais estar comigo. Estão me esquartejando em praça pública. Como dói ver meu sonho ser descontruído, queimado, apedrejado, esquecido. Parece que, depois de tudo, eu deixei de enxergar a realidade por passar tempo demais sonhando acordada. Serei sempre uma romântica. Que maçada.
Talvez eu devesse ler mais Machado do que Jane Austen. Sei lá, talvez eu te encaixasse em padrões reais e não mais na minha complexa idealizacão. Eu tinha meu Romantismo sem tédio. Morria não de tuberculose, mas de saudade. Sou uma escritora às avessas.
Eu poderia começar um diário e, intimamente, contar todos os meus dias para você desde quando te perdi. Se te entregaria, eu não sei. Nem acho que você leria sequer a introdução. É tudo muito delicado para sua grossura.
Mas, ironicamente, eu sou o polo frio. Sou a intensível da relação que perdurou mesmo depois de terminada. E eu, sendo a mais dura, sempre amei com mais fervor. Paixão, é o nome. Deixo-a de lado agora.
Não ousarei dizer que nunca nos amamos, mas a ideia transpassa por minha cabeça. Teria sido real ou apenas um delírio meu? Será que imaginei seu sentimento por mim?
Concluo que, depois de tantas idas e vindas, ou você se diverte com minha desgraça ou precisa de um psiquiatra. Marque uma consulta para mim também.
A meta agora é fugir, para o mais distante que eu conseguir. Admito, não tenho vergonha. Vou fugir de você e das esquinas que me lembram de nós dois. Vou fugir da cidade que abrigou nosso relacionamento, que foi o palco da nossa felicidade.
Sempre me vi como a capitã que não abandona seu barco. Cá estou, em pleno oceano com a água até meu pescoço. Perdi a oportunidade de sair daqui quando ainda tinha chances de salvação. Resta agora afundar com tudo aquilo que protegi por tanto tempo. Pelo menos posso dizer que aguentei até o fim.
Chegou a vez do meu final.
sábado, 22 de outubro de 2016
Notas passadas
Como recordar é viver e eu sou uma pessoa de espírito velho que adora viver no passado, irei reproduzir aqui uma carta antiga que escrevi e encontrei recentemente. Obviamente, ela nunca chegou ao destinatário. Não tive a oportunidade de entregá-la. Enfim, são apenas pensamentos meus aos 16 anos.
"Meu amor,
Gostaria de entender o que acontece conosco. Vamos de um extremo ao outro em questão de minutos, até acabarmos brigando. E a pior parte é que, na maioria das vezes, os motivos são bobos e desnecessários. Não acho que gostemos de nos torturar, então por que discutimos tanto?
Ontem mesmo falamos do futuro que almejamos construir juntos, prometemos nos amar para sempre...e hoje quase terminamos por causa de um pequeno mal entendido. E foi para tentar melhorar nosso clima que decidi te escrever esta carta. Mas uma carta de verdade, feita à mão, dessas que ninguém mais faz hoje em dia.
Pessoalmente, acredito que somos o casal mais esquisito do planeta. Mas de uma coisa eu tenho certeza: somos o mais apaixonado também. Sei que as vezes - como agora - não parece, mas é verdade. Acredite em mim, não sou tão louca assim. Eu consigo te amar mais do que Harry Potter, e não é nada fácil ganhar daquele bruxinho.
Mas parece que é isso que você faz comigo...vai entrando cada vez mais na minha vida e conquistando vários pedacinhos do meu coração. Suspeito que você o queira por completo. Se for isso mesmo, fique feliz, está quase lá. Falta só uma partezinha. Depois você descobre qual é.
Me orgulho muito de sermos tão apaixonados. Adoro quando as pessoas percebem isso com apenas um olhar, dois estranhos deslocados que, por algum motivo, deram certo e ficam lindos juntos (só acho).
Não quero que isso acabe nunca, pois acredito que ainda vamos viver muita coisa juntos. Enfim, roubei esses minutos da sua vida apenas para dizer que te amo. É sempre bom relembrar, não é mesmo? "
"Meu amor,
Gostaria de entender o que acontece conosco. Vamos de um extremo ao outro em questão de minutos, até acabarmos brigando. E a pior parte é que, na maioria das vezes, os motivos são bobos e desnecessários. Não acho que gostemos de nos torturar, então por que discutimos tanto?
Ontem mesmo falamos do futuro que almejamos construir juntos, prometemos nos amar para sempre...e hoje quase terminamos por causa de um pequeno mal entendido. E foi para tentar melhorar nosso clima que decidi te escrever esta carta. Mas uma carta de verdade, feita à mão, dessas que ninguém mais faz hoje em dia.
Pessoalmente, acredito que somos o casal mais esquisito do planeta. Mas de uma coisa eu tenho certeza: somos o mais apaixonado também. Sei que as vezes - como agora - não parece, mas é verdade. Acredite em mim, não sou tão louca assim. Eu consigo te amar mais do que Harry Potter, e não é nada fácil ganhar daquele bruxinho.
Mas parece que é isso que você faz comigo...vai entrando cada vez mais na minha vida e conquistando vários pedacinhos do meu coração. Suspeito que você o queira por completo. Se for isso mesmo, fique feliz, está quase lá. Falta só uma partezinha. Depois você descobre qual é.
Me orgulho muito de sermos tão apaixonados. Adoro quando as pessoas percebem isso com apenas um olhar, dois estranhos deslocados que, por algum motivo, deram certo e ficam lindos juntos (só acho).
Não quero que isso acabe nunca, pois acredito que ainda vamos viver muita coisa juntos. Enfim, roubei esses minutos da sua vida apenas para dizer que te amo. É sempre bom relembrar, não é mesmo? "
domingo, 16 de outubro de 2016
Ele não passa
E assim, de repente, nosso amor tornou-se tão amargo quanto o café que bebo tão desesperadamente toda manhã. Não encontramos mais as palavras certas, perdemos o contato. Não há mais abraços para nos escondermos. As fotos foram apagadas, os diários foram queimados, as lembranças tentam escapar nas entrelinhas do Tempo. Será ele minha cura ou meu cárcere?
Vasculhando o submundo do meu armário, encontrei um álbum inteiro de fotografias que tirei de você. Em algumas você estava ciente das minhas lentes, em outras não. Chorei ao encontrar tal doce presente. Eu poderia fazer um portifólio só com suas caras e bocas.
Ah Tempo, onde está sua pressa? Minhas cicatrizes ainda não sumiram por sua insistência em manter-se parado. Você não deveria me ajudar a superar ou ao menos esquecer? Parece que não está cumprindo seu papel.
A quem mais posso recorrer nesse momento? Talvez eu esteja enlouquecendo. Rever tais fotografias foi como voltar ao passado...de uma maneira tão inacreditavelmente real, revivi aqueles momentos felizes que tivemos. Pude sentir a grama pinicando no dia em que fizemos um piquenique, o calor dos cobertores da noite em que passamos juntos, o abraço apertado que demos no primeiro minuto de um novo ano, a animação do show de um bom guitarrista que costumávamos ouvir. Seria apenas um delírio?
Espero conseguir, algum dia, narrar tudo isso sem derrubar lágrimas. Será que, depois da ajuda do Tempo, você continuará sendo meu tesouro particular ou tudo o que passou será perdido?
Tic...Tac...Tic...Tac...
Tic...
Tac...
Silêncio.
Vasculhando o submundo do meu armário, encontrei um álbum inteiro de fotografias que tirei de você. Em algumas você estava ciente das minhas lentes, em outras não. Chorei ao encontrar tal doce presente. Eu poderia fazer um portifólio só com suas caras e bocas.
Ah Tempo, onde está sua pressa? Minhas cicatrizes ainda não sumiram por sua insistência em manter-se parado. Você não deveria me ajudar a superar ou ao menos esquecer? Parece que não está cumprindo seu papel.
A quem mais posso recorrer nesse momento? Talvez eu esteja enlouquecendo. Rever tais fotografias foi como voltar ao passado...de uma maneira tão inacreditavelmente real, revivi aqueles momentos felizes que tivemos. Pude sentir a grama pinicando no dia em que fizemos um piquenique, o calor dos cobertores da noite em que passamos juntos, o abraço apertado que demos no primeiro minuto de um novo ano, a animação do show de um bom guitarrista que costumávamos ouvir. Seria apenas um delírio?
Espero conseguir, algum dia, narrar tudo isso sem derrubar lágrimas. Será que, depois da ajuda do Tempo, você continuará sendo meu tesouro particular ou tudo o que passou será perdido?
Tic...Tac...Tic...Tac...
Tic...
Tac...
Silêncio.
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Um final para chamar de feliz
- Nossa comunicação regride mais e mais a cada dia- diz, encarando-me com sua imensidão verde.
- Tenho dificuldade em conversar com alguém que diz não me querer em sua vida, retruco séria.
- Realmente disse isso em agosto- pela primeira vez, as lágrimas escorrem de seus olhos, e nãos dos meus.
- Agora é diferente. Eu não quero mais nada- depois dessa, o prêmio de mentirosa do ano será meu.
Desconfortáveis, olhamos para nossos próprios pés, pedindo para que o tempo passasse mais rápido. Aquela situação era insuportável, ainda mais depois dos últimos ocorridos.
- A culpa é minha. Nunca soube te cuidar, não fui bom para você- disse, sem coragem de encarar meus olhos.
Minhas sobrancelhas arquearam e fiquei indignada. Não estava certo. A culpa foi de nós dois, respondi. Nunca fui o exemplo de boa companheira. Apenas no dia seguinte me daria conta de que era a primeira vez que ele não me culpava pelos erros cometidos.
Ficamos sem graça, nenhum de nós esperava uma conversa profunda. As palavras não vinham e o incômodo espantava as poucas sobreviventes. Estávamos nos perdendo.
- Podemos ao menos manter a pacificidade?
- Não, disse. Óbvio que eu seria fria e grossa. Mas para falar a verdade, não seria mesmo possível. Jamais conseguiria fingir que está tudo bem, e até mesmo ter a pretenção de manter um diálogo saudável com o garoto que tem a chave de meu coração.
Balançou a cabeça, aceitou minha resposta. Por que ele sempre desiste de lutar e aceita? Desviava o olhar para mim e novamente para o chão. Queria me dizer algo, mas não sabia como. Eu podia ler as legendas de seu silêncio.
- Sinto falta de nosso mundo mágico, finalmente admitiu. Éramos felizes.
Sim, éramos mesmo. Beijei-o em resposta. Não havia nada a dizer.
Encarou-me, surpreso. Não esperava tal reação. Então nos beijamos do único jeito que sabíamos: de modo amargo, desesperado, tínhamos pressa de amar. Nunca soubemos apreciar os segundos, não seria diferente naquele momento.
Nos afastamos, mas não o suficiente. Estávamos inundados do outro, como nos velhos tempos. Afogaria-me nele todos os dias, se pudesse.
- Vamos embora, sussurrou. O hálito quente tocava minha face de forma suave, a esperança permanecia em sua voz.
- Para onde?
- Para longe. Qualquer lugar, não importa. Apenas vamos.
Olhei-o, surpresa. Não sabia qual era sua proposta, efetivamente. Seria um "para sempre" ou apenas uma aventura com prazo de validade? Seríamos só nós? Mas e o medo e a vergonha que antes o cercavam, simplesmente sumiram?
- Vamos.
Naquela mesma noite, entramos num carro com pouca bagagem nas mãos. Não tínhamos mapa ou destino certo, iríamos apenas dirigir pelas estradas existentes. Talvez ouvíssemos algum CD antigo, ou ficássemos apenas conversando na penumbra. Mesmo errados, estávamos finalmente juntos. Iríamos em frente, sem olhar para trás.
"Uma vez eu disse que te amaria para sempre. Estou apenas cumprindo minha promessa."
- Tenho dificuldade em conversar com alguém que diz não me querer em sua vida, retruco séria.
- Realmente disse isso em agosto- pela primeira vez, as lágrimas escorrem de seus olhos, e nãos dos meus.
- Agora é diferente. Eu não quero mais nada- depois dessa, o prêmio de mentirosa do ano será meu.
Desconfortáveis, olhamos para nossos próprios pés, pedindo para que o tempo passasse mais rápido. Aquela situação era insuportável, ainda mais depois dos últimos ocorridos.
- A culpa é minha. Nunca soube te cuidar, não fui bom para você- disse, sem coragem de encarar meus olhos.
Minhas sobrancelhas arquearam e fiquei indignada. Não estava certo. A culpa foi de nós dois, respondi. Nunca fui o exemplo de boa companheira. Apenas no dia seguinte me daria conta de que era a primeira vez que ele não me culpava pelos erros cometidos.
Ficamos sem graça, nenhum de nós esperava uma conversa profunda. As palavras não vinham e o incômodo espantava as poucas sobreviventes. Estávamos nos perdendo.
- Podemos ao menos manter a pacificidade?
- Não, disse. Óbvio que eu seria fria e grossa. Mas para falar a verdade, não seria mesmo possível. Jamais conseguiria fingir que está tudo bem, e até mesmo ter a pretenção de manter um diálogo saudável com o garoto que tem a chave de meu coração.
Balançou a cabeça, aceitou minha resposta. Por que ele sempre desiste de lutar e aceita? Desviava o olhar para mim e novamente para o chão. Queria me dizer algo, mas não sabia como. Eu podia ler as legendas de seu silêncio.
- Sinto falta de nosso mundo mágico, finalmente admitiu. Éramos felizes.
Sim, éramos mesmo. Beijei-o em resposta. Não havia nada a dizer.
Encarou-me, surpreso. Não esperava tal reação. Então nos beijamos do único jeito que sabíamos: de modo amargo, desesperado, tínhamos pressa de amar. Nunca soubemos apreciar os segundos, não seria diferente naquele momento.
Nos afastamos, mas não o suficiente. Estávamos inundados do outro, como nos velhos tempos. Afogaria-me nele todos os dias, se pudesse.
- Vamos embora, sussurrou. O hálito quente tocava minha face de forma suave, a esperança permanecia em sua voz.
- Para onde?
- Para longe. Qualquer lugar, não importa. Apenas vamos.
Olhei-o, surpresa. Não sabia qual era sua proposta, efetivamente. Seria um "para sempre" ou apenas uma aventura com prazo de validade? Seríamos só nós? Mas e o medo e a vergonha que antes o cercavam, simplesmente sumiram?
- Vamos.
Naquela mesma noite, entramos num carro com pouca bagagem nas mãos. Não tínhamos mapa ou destino certo, iríamos apenas dirigir pelas estradas existentes. Talvez ouvíssemos algum CD antigo, ou ficássemos apenas conversando na penumbra. Mesmo errados, estávamos finalmente juntos. Iríamos em frente, sem olhar para trás.
"Uma vez eu disse que te amaria para sempre. Estou apenas cumprindo minha promessa."
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Somos todos narcóticos
A poucas semanas de uma importamte etapa da minha vida, sinto-me mais acabada do que nunca. Simulados até enjoar, café para aguentar virar a noite estudando, remédios para recuperar o sono e gelo para aliviar a tensão de tanto escrever. Falando assim, parece a pior coisa do mundo. Mas confesso: amo cada momento desses. Talvez eu tenha me viciado, mas o que importa? O resultado final valerá a pena.
Sou uma daquelas pessoas que se apegam fácil às coisas e, até hoje, minha melhor droga foi um grande amor. Amei-o desde o primeiro dia em que o vi (sim, embora toscamente, essas coisas existem) e desde então necessito de doses cada vez maiores e mais regulares. O cheiro doce daquele perfume, o gosto bom de seus lábios, a temperatura elevada de seu abraço..era tudo que eu precisava.
Mas agora, depois de três anos nessa situação sem nenhuma chance de reabilitação, tenho que dar adeus. Como deixar para trás algo que me marcou e que ainda me move? Sinto-me dispersa no meio. Já prevejo uma séria crise de abstinência que me deixará com uma saudade louca, e não sei como vou me recuperar disso. Então penso na possibilidade de não precisar me despedir. Afinal, não precisaria acabar. Mas aí entro no limbo contruído ao longo desses anos. Juntos ou não juntos: eis a questão.
Talvez essa dúvida sempre permaneça em minha mente, junto com outro mero questionamento: será recíproco ainda? Sim, como boa libriana, gosto de questionamentos. Mas gosto ainda mais de respostas e, no momento, eu não as tenho. Frustração para essa noite.
Enquanto nada é definido, continuo alimentando o vício que me preenche. Sou mesmo uma serumaninha estranha. Nenhuma novidade. Talvez eu devesse experimentar beber gasolina da próxima vez.
Sou uma daquelas pessoas que se apegam fácil às coisas e, até hoje, minha melhor droga foi um grande amor. Amei-o desde o primeiro dia em que o vi (sim, embora toscamente, essas coisas existem) e desde então necessito de doses cada vez maiores e mais regulares. O cheiro doce daquele perfume, o gosto bom de seus lábios, a temperatura elevada de seu abraço..era tudo que eu precisava.
Mas agora, depois de três anos nessa situação sem nenhuma chance de reabilitação, tenho que dar adeus. Como deixar para trás algo que me marcou e que ainda me move? Sinto-me dispersa no meio. Já prevejo uma séria crise de abstinência que me deixará com uma saudade louca, e não sei como vou me recuperar disso. Então penso na possibilidade de não precisar me despedir. Afinal, não precisaria acabar. Mas aí entro no limbo contruído ao longo desses anos. Juntos ou não juntos: eis a questão.
Talvez essa dúvida sempre permaneça em minha mente, junto com outro mero questionamento: será recíproco ainda? Sim, como boa libriana, gosto de questionamentos. Mas gosto ainda mais de respostas e, no momento, eu não as tenho. Frustração para essa noite.
Enquanto nada é definido, continuo alimentando o vício que me preenche. Sou mesmo uma serumaninha estranha. Nenhuma novidade. Talvez eu devesse experimentar beber gasolina da próxima vez.
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