domingo, 16 de outubro de 2016

Ele não passa

    E assim, de repente, nosso amor tornou-se tão amargo quanto o café que bebo tão desesperadamente toda manhã. Não encontramos mais as palavras certas, perdemos o contato. Não há mais abraços para nos escondermos. As fotos foram apagadas, os diários foram queimados, as lembranças tentam escapar nas entrelinhas do Tempo. Será ele minha cura ou meu cárcere?
    Vasculhando o submundo do meu armário, encontrei um álbum inteiro de fotografias que tirei de você. Em algumas você estava ciente das minhas lentes, em outras não. Chorei ao encontrar tal doce presente. Eu poderia fazer um portifólio só com suas caras e bocas.
    Ah Tempo, onde está sua pressa? Minhas cicatrizes ainda não sumiram por sua insistência em manter-se parado. Você não deveria me ajudar a superar ou ao menos esquecer? Parece que não está cumprindo seu papel.
    A quem mais posso recorrer nesse momento? Talvez eu esteja enlouquecendo. Rever tais fotografias foi como voltar ao passado...de uma maneira tão inacreditavelmente real, revivi aqueles momentos felizes que tivemos. Pude sentir a grama pinicando no dia em que fizemos um piquenique, o calor dos cobertores da noite em que passamos juntos, o abraço apertado que demos no primeiro minuto de um novo ano, a animação do show de um bom guitarrista que costumávamos ouvir. Seria apenas um delírio?
    Espero conseguir, algum dia, narrar tudo isso sem derrubar lágrimas. Será que, depois da ajuda do Tempo, você continuará sendo meu tesouro particular ou tudo o que passou será perdido?

    Tic...Tac...Tic...Tac...

                                      Tic...
         
                                               Tac...

                                                        Silêncio.

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