terça-feira, 4 de outubro de 2016

Somos todos narcóticos

    A poucas semanas de uma importamte etapa da minha vida, sinto-me mais acabada do que nunca.  Simulados até enjoar, café para aguentar virar a noite estudando, remédios para recuperar o sono e gelo para aliviar a tensão de tanto escrever. Falando assim, parece a pior coisa do mundo. Mas confesso: amo cada momento desses. Talvez eu tenha me viciado, mas o que importa? O resultado final valerá a pena.
    Sou uma daquelas pessoas que se apegam fácil às coisas e, até hoje, minha melhor droga foi um grande amor. Amei-o desde o primeiro dia em que o vi (sim, embora toscamente, essas coisas existem) e desde então necessito de doses cada vez maiores e mais regulares. O cheiro doce daquele perfume, o gosto bom de seus lábios, a temperatura elevada de seu abraço..era tudo que eu precisava.  
    Mas agora, depois de três anos nessa situação sem nenhuma chance de reabilitação, tenho que dar adeus. Como deixar para trás algo que me marcou e que ainda me move? Sinto-me dispersa no meio. Já prevejo uma séria crise de abstinência que me deixará com uma saudade louca, e não sei como vou me recuperar disso. Então penso na possibilidade de não precisar me despedir. Afinal, não precisaria acabar. Mas aí entro no limbo contruído ao longo desses anos. Juntos ou não juntos: eis a questão. 
    Talvez essa dúvida sempre permaneça em minha mente, junto com outro mero questionamento: será recíproco ainda? Sim, como boa libriana, gosto de questionamentos. Mas gosto ainda mais de respostas e, no momento, eu não as tenho. Frustração para essa noite. 
    Enquanto nada é definido, continuo alimentando o vício que me preenche. Sou mesmo uma serumaninha estranha. Nenhuma novidade. Talvez eu devesse experimentar beber gasolina da próxima vez.

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