terça-feira, 22 de novembro de 2016

Simplicidade conjugal

    Quando as horas insistem no atraso, o dia torna-se longo. Chego em casa com meu andar preguiçoso, deixo a bolsa na escrivaninha. Não era uma pretensão minha tocá-la até o dia seguinte.  O corpo estava dolorido, a mente sempre cansada. As pálpebras, pesadas, me impediam de ver o mundo.  Retiro os sapatos e o casaco que molemente se ajusta ao meu corpo.
    Ao deitar na cama que nunca foi suficientemente espaçosa, percebo o quanto está vazia. Há toda uma imensidão inabitada que meu corpo,  agora só, parece infinitamente pequeno para ocupar.  Mesmo esticando meu braço o máximo possível, não havia nada ali. Não havia mais seu peito para me apoiar tão confortavelmente, embora eu ainda sentisse seu cheiro nos lençóis.
    O frio onde antes estava quente fez com que eu me perguntasse o porquê de nunca termos feito isso antes. Tudo o que precisávamos era de um tempo a sós, para não fazermos nada além de aproveitarmos a presença um do outro. Impressionante como eu sentia saudades de algo que nunca tive. O fato de sentir sua respiração no meu cabelo e seus pés brincando com os meus fez com que eu me sentisse verdadeiramente feliz, e não há o que fazer além de agradecer.
    Tudo isso me fez ver que uma cama de solteiro é a melhor cama de casal, e que eu quero mais dias assim daqui para frente.
    Tivemos um dia bom.