Querido Futuro, a partir de hoje sou, oficialmente, uma universitária. Uma realidade que parecia tão distante mas, após quedas e dificuldades, cá está. Instalou-se no meu presente e, admito, está me deixando feliz:
Fomos eu e meu pai fazer minha matrícula na faculdade. Imagine só..eu, universitária. O processo demorou poucos minutos, a papelada estava pronta. Tudo o que o simpático rapaz que nos atendeu disse foi "bem-vinda". Foi ali, naquele momento, que eu passei a fazer parte de algo maior do que o mundinho em que antes me encaixava. Minha vida acadêmica começou naquela sala.
Com o horário das aulas em mãos, a primeira boa surpresa: aulas curiosas como "Poder e Soberania" e "Introdução ao Pensamento Teológico". Devo dizer que fiquei curiosa. Espero que essas e as demais aulas, com duração de 3h e 30 min, sejam realmente boas.
Como tudo estava resolvido, meu pai e eu decidimos explorar um pouco aquela universidade tão tradicional. Ao percorrer o primeiro corredor, tive a sensação de voltar para a época em que o pé direito era alto e os arcos estavam em moda. Sem falar do piso de madeira com aquele rangido característico de coisas instaladas há décadas. Encantador.
E, em meio ao nosso pequeno tour, descobrimos uma pequena capela. Belíssima, no mínimo. Não havia mais ninguém e decidimos nos sentar um pouco e apreciar o local. Ao olhar para meu pai, vi seus olhos marejados. Ele não podia acreditar que a filha mais nova adentrava essa nova etapa da vida. Havia certo orgulho em sua expressão. Caramba, como eu chorei ao ver aquilo. Meu pai, sempre austero, estava chorando por uma conquista minha. Guardarei tal momento para sempre na memória.
Então, Futuro, depois de te contar tudo isso, basta dizer uma última coisa: estou pronta para novas aventuras. Guarde coisas boas para mim e espere sempre a excelência. Minha vida começa agora.
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
domingo, 18 de dezembro de 2016
Vergonha também é sentimento
10:28. Parece uma boa hora para me arrepender. Pouco antes das 9, acordei daquele jeito preguiçoso bem característico de quem fez o que não devia. O quarto estava pouco iluminado, o suficiente para que eu visse a bagunça em que tinha me metido.
Sentei-me na cama. No chão, jaziam as roupas do dia anterior. Ao meu lado, ele dormia de modo sereno. Sabia que, ao acordar, iria me encarar com grandes olhos verdes. Pelo menos era o que eu lembrava. O quê eu tinha com olhos verdes, afinal?
A conhecida dor de cabeça já me acordava com suas pontadas. Maldito champanhe. Devia tê-lo dispensado enquanto podia. Tentando fazer o mínimo barulho possível, enrolei-me no lençol e parti na busca de um chuveiro. Definitivamente, precisava de um banho.
Ao entrar no banheiro, dei de cara com o espelho. Por incrível que pareça, eu estava ridiculamente apresentável. A maquiagem um pouco borrada, é verdade, e não havia mais a tonalidade do batom em meus lábios. Mas os cachos pendiam bagunçados nos ombros e não identificava vestígios de minhas olheiras.
Abri todas as gavetas em busca de um elástico. Ao encontrá-lo, enrolei o cabelo em um coque bagunçado e entrei no chuveiro. Apenas água gelada. Talvez eu merecesse. Sequei-me com a única toalha disponível, e a vergonha começava a ruborizar minhas bochechas. O que eu tinha feito?
Entrei no quarto, recolhi minhas roupas e vesti-as em silêncio. Onde é que estava meu sapato? Encontrei-os debaixo de algumas almofadas. Será que eu devia deixar um bilhete? Mas afinal, o que é que eu iria escrever? Melhor sair enquanto não havia ninguém acordado para me questionar a respeito. Dei uma última olhada para seu cabelo loiro e tentei registrar na mente todo aquele ambiente.
Saí na ponta dos pés, rumo à luz do dia que, mais tarde, eu iria descobrir que me julgaria.
Sentei-me na cama. No chão, jaziam as roupas do dia anterior. Ao meu lado, ele dormia de modo sereno. Sabia que, ao acordar, iria me encarar com grandes olhos verdes. Pelo menos era o que eu lembrava. O quê eu tinha com olhos verdes, afinal?
A conhecida dor de cabeça já me acordava com suas pontadas. Maldito champanhe. Devia tê-lo dispensado enquanto podia. Tentando fazer o mínimo barulho possível, enrolei-me no lençol e parti na busca de um chuveiro. Definitivamente, precisava de um banho.
Ao entrar no banheiro, dei de cara com o espelho. Por incrível que pareça, eu estava ridiculamente apresentável. A maquiagem um pouco borrada, é verdade, e não havia mais a tonalidade do batom em meus lábios. Mas os cachos pendiam bagunçados nos ombros e não identificava vestígios de minhas olheiras.
Abri todas as gavetas em busca de um elástico. Ao encontrá-lo, enrolei o cabelo em um coque bagunçado e entrei no chuveiro. Apenas água gelada. Talvez eu merecesse. Sequei-me com a única toalha disponível, e a vergonha começava a ruborizar minhas bochechas. O que eu tinha feito?
Entrei no quarto, recolhi minhas roupas e vesti-as em silêncio. Onde é que estava meu sapato? Encontrei-os debaixo de algumas almofadas. Será que eu devia deixar um bilhete? Mas afinal, o que é que eu iria escrever? Melhor sair enquanto não havia ninguém acordado para me questionar a respeito. Dei uma última olhada para seu cabelo loiro e tentei registrar na mente todo aquele ambiente.
Saí na ponta dos pés, rumo à luz do dia que, mais tarde, eu iria descobrir que me julgaria.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Caos natural
Apesar de eu ter minhas dúvidas, há uma certeza sobre a natureza: o universo tende ao caos. Quando ouvi isso pela primeira vez, fiquei espantada com tamanha sinceridade. Não havia brecha alguma para suavizar o que se dizia de forma tão direta. Era aquilo mesmo e ponto final.
Outra verdade científica, desdobramento da anteriormente citada, é que a desordem é natural e espontânea e, para se organizar o desorganizado, energia é gasta e algo muito maior é bagunçado. Como minha habilidade em física é restrita ao entendimento de conceitos - veja bem, sou uma mera pessoa de humanas - passei a aplicar meu novo conhecimento em meu cotidiano. Obviamente, meus pensamentos convergiram ao mesmo ponto de sempre...ou melhor, ao mesmo alguém.
Estranho pensar que estávamos extremamente bem até uma semana atrás. Como o tempo é louco, não é mesmo? Longo, eu diria. Relativo, no mínimo. Talvez "extremamente bem" não seja a melior expressão. Estava mais para "bem até a segunda página". Relacionamentos de fachada nunca ultrapassam tal limite.
Mas voltando ao assunto, comecei a pensar em nós dois quando ainda existíamos. Efetivamente, organizamos muitas coisas fora de ordem mas, para que isso fosse possível, gastamos uma energia incalculável em autocontrole e desorganizamos todo o resto. Passamos a tolerar os detalhes antes incômodos e nos vimos como estranhos. As conversas não mais fluíam, o toque não existia, o sentimento era superficial.
Necessidade? Carência? Saudade? Não sei qual palavra usar..,não sei nem mesmo se alguma dessa opções é válida. Minha única certeza é que o caos era tão sobrenadante que o fim foi recebido como velho amigo. Foi bem-vindo, até mesmo desejado. Digamos que foi fácil.
Demorou muito para que eu percebesse que é natural voltar para você. Mas isso significa estar em meio ao caos, um interminável buraco negro que suga todas as minhas forças e me sufoca. Prende. Machuca. Maltrata. Tortura.
O objetivo restante é gastar a energia que sobrou para organizar o que você bagunçou e, admito, será uma ótima experiência. Poderei pensar em mim sem mais me preocupar contigo. A vida é mais leve sem seu peso me puxando para baixo.
Não falo em esquecimento pois isto é impossível. Nem gostaria disso. Tudo o que desejo é, um dia, olhar para trás e contar essas histórias com certo tom divertido na voz, como que relembrando de um sonho doce de uma noite de verão. Basta desejar boa sorte para que faça o mesmo, afinal, meu amor é como o de qualquer ser humano - e um pouco mais.
Outra verdade científica, desdobramento da anteriormente citada, é que a desordem é natural e espontânea e, para se organizar o desorganizado, energia é gasta e algo muito maior é bagunçado. Como minha habilidade em física é restrita ao entendimento de conceitos - veja bem, sou uma mera pessoa de humanas - passei a aplicar meu novo conhecimento em meu cotidiano. Obviamente, meus pensamentos convergiram ao mesmo ponto de sempre...ou melhor, ao mesmo alguém.
Estranho pensar que estávamos extremamente bem até uma semana atrás. Como o tempo é louco, não é mesmo? Longo, eu diria. Relativo, no mínimo. Talvez "extremamente bem" não seja a melior expressão. Estava mais para "bem até a segunda página". Relacionamentos de fachada nunca ultrapassam tal limite.
Mas voltando ao assunto, comecei a pensar em nós dois quando ainda existíamos. Efetivamente, organizamos muitas coisas fora de ordem mas, para que isso fosse possível, gastamos uma energia incalculável em autocontrole e desorganizamos todo o resto. Passamos a tolerar os detalhes antes incômodos e nos vimos como estranhos. As conversas não mais fluíam, o toque não existia, o sentimento era superficial.
Necessidade? Carência? Saudade? Não sei qual palavra usar..,não sei nem mesmo se alguma dessa opções é válida. Minha única certeza é que o caos era tão sobrenadante que o fim foi recebido como velho amigo. Foi bem-vindo, até mesmo desejado. Digamos que foi fácil.
Demorou muito para que eu percebesse que é natural voltar para você. Mas isso significa estar em meio ao caos, um interminável buraco negro que suga todas as minhas forças e me sufoca. Prende. Machuca. Maltrata. Tortura.
O objetivo restante é gastar a energia que sobrou para organizar o que você bagunçou e, admito, será uma ótima experiência. Poderei pensar em mim sem mais me preocupar contigo. A vida é mais leve sem seu peso me puxando para baixo.
Não falo em esquecimento pois isto é impossível. Nem gostaria disso. Tudo o que desejo é, um dia, olhar para trás e contar essas histórias com certo tom divertido na voz, como que relembrando de um sonho doce de uma noite de verão. Basta desejar boa sorte para que faça o mesmo, afinal, meu amor é como o de qualquer ser humano - e um pouco mais.
terça-feira, 22 de novembro de 2016
Simplicidade conjugal
Quando as horas insistem no atraso, o dia torna-se longo. Chego em casa com meu andar preguiçoso, deixo a bolsa na escrivaninha. Não era uma pretensão minha tocá-la até o dia seguinte. O corpo estava dolorido, a mente sempre cansada. As pálpebras, pesadas, me impediam de ver o mundo. Retiro os sapatos e o casaco que molemente se ajusta ao meu corpo.
Ao deitar na cama que nunca foi suficientemente espaçosa, percebo o quanto está vazia. Há toda uma imensidão inabitada que meu corpo, agora só, parece infinitamente pequeno para ocupar. Mesmo esticando meu braço o máximo possível, não havia nada ali. Não havia mais seu peito para me apoiar tão confortavelmente, embora eu ainda sentisse seu cheiro nos lençóis.
O frio onde antes estava quente fez com que eu me perguntasse o porquê de nunca termos feito isso antes. Tudo o que precisávamos era de um tempo a sós, para não fazermos nada além de aproveitarmos a presença um do outro. Impressionante como eu sentia saudades de algo que nunca tive. O fato de sentir sua respiração no meu cabelo e seus pés brincando com os meus fez com que eu me sentisse verdadeiramente feliz, e não há o que fazer além de agradecer.
Tudo isso me fez ver que uma cama de solteiro é a melhor cama de casal, e que eu quero mais dias assim daqui para frente.
Tivemos um dia bom.
Ao deitar na cama que nunca foi suficientemente espaçosa, percebo o quanto está vazia. Há toda uma imensidão inabitada que meu corpo, agora só, parece infinitamente pequeno para ocupar. Mesmo esticando meu braço o máximo possível, não havia nada ali. Não havia mais seu peito para me apoiar tão confortavelmente, embora eu ainda sentisse seu cheiro nos lençóis.
O frio onde antes estava quente fez com que eu me perguntasse o porquê de nunca termos feito isso antes. Tudo o que precisávamos era de um tempo a sós, para não fazermos nada além de aproveitarmos a presença um do outro. Impressionante como eu sentia saudades de algo que nunca tive. O fato de sentir sua respiração no meu cabelo e seus pés brincando com os meus fez com que eu me sentisse verdadeiramente feliz, e não há o que fazer além de agradecer.
Tudo isso me fez ver que uma cama de solteiro é a melhor cama de casal, e que eu quero mais dias assim daqui para frente.
Tivemos um dia bom.
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
Lumos
O escuro do teatro é a porta para um novo mundo, novas possibilidades, novos futuros. Tamanha emoção concentrada, o sentimento atingiu-me em cheio. Com os atores ri e chorei sem qualquer motivo aparente, simplesmente por relacionar uma fala e outra com o meu segredo, velho amor oculto. Questiono-me se ele também pensou em mim.
A maravilhosa obra foi finalizada com "seja você mesmo. Viva sua loucura", e foi aí que as lagrimas escorreram soltas. Será que eu posso mesmo cometer tal delírio? Devo eu mostrar o que sinto? Será possível viver isso intensamente?
Chorei e as luzes foram acesas. Não havia mais esconderijo para meu contrangimento, deveria voltar a ser fria. Será que, de relance, ele percebeu meu deslize?
Novamente tomada pela multidão e ainda incerta sobre o ocorrido, percebi que ele carregava um cordão prateado no pescoço, com um delicado aro pendurado. Um anel. Nossa antiga aliança. Por quê? Diga-me por que, eu quis gritar. Por que ele usou isso mesmo depois de uma semana sem me olhar? O que aquilo significa para ele? Será uma mera provocação?
Ao chegar em casa, olho-me no espelho. Vejo um reflexo borrado, as olheiras voltando a aparecer por baixo da gasta maquiagem. Tentei esconder meu verdadeiro estado todos esses dias, hoje não seria diferente. Mas, pensando bem, eu deveria ter ido de cara lavada e coração aberto, como quem diz "veja quem eu realmente sou sem você". Um monte de lixo quebrado.
O escuro do meu quarto foi, e será novamente esta noite, o abrigo da minha dúvida e saudade.
NOX
A maravilhosa obra foi finalizada com "seja você mesmo. Viva sua loucura", e foi aí que as lagrimas escorreram soltas. Será que eu posso mesmo cometer tal delírio? Devo eu mostrar o que sinto? Será possível viver isso intensamente?
Chorei e as luzes foram acesas. Não havia mais esconderijo para meu contrangimento, deveria voltar a ser fria. Será que, de relance, ele percebeu meu deslize?
Novamente tomada pela multidão e ainda incerta sobre o ocorrido, percebi que ele carregava um cordão prateado no pescoço, com um delicado aro pendurado. Um anel. Nossa antiga aliança. Por quê? Diga-me por que, eu quis gritar. Por que ele usou isso mesmo depois de uma semana sem me olhar? O que aquilo significa para ele? Será uma mera provocação?
Ao chegar em casa, olho-me no espelho. Vejo um reflexo borrado, as olheiras voltando a aparecer por baixo da gasta maquiagem. Tentei esconder meu verdadeiro estado todos esses dias, hoje não seria diferente. Mas, pensando bem, eu deveria ter ido de cara lavada e coração aberto, como quem diz "veja quem eu realmente sou sem você". Um monte de lixo quebrado.
O escuro do meu quarto foi, e será novamente esta noite, o abrigo da minha dúvida e saudade.
NOX
quarta-feira, 26 de outubro de 2016
Fugere urbem
Parece inconcebível escrever um texto cujo interlocutor não é você. Como uma prova sem crime, fica solto no ar. As frases estão desconexas, não há mais referências. Minhas palavras foram roubadas, junto com minha dignidade.
Aos poucos, estou me desfazendo de coisas que nem deveriam mais estar comigo. Estão me esquartejando em praça pública. Como dói ver meu sonho ser descontruído, queimado, apedrejado, esquecido. Parece que, depois de tudo, eu deixei de enxergar a realidade por passar tempo demais sonhando acordada. Serei sempre uma romântica. Que maçada.
Talvez eu devesse ler mais Machado do que Jane Austen. Sei lá, talvez eu te encaixasse em padrões reais e não mais na minha complexa idealizacão. Eu tinha meu Romantismo sem tédio. Morria não de tuberculose, mas de saudade. Sou uma escritora às avessas.
Eu poderia começar um diário e, intimamente, contar todos os meus dias para você desde quando te perdi. Se te entregaria, eu não sei. Nem acho que você leria sequer a introdução. É tudo muito delicado para sua grossura.
Mas, ironicamente, eu sou o polo frio. Sou a intensível da relação que perdurou mesmo depois de terminada. E eu, sendo a mais dura, sempre amei com mais fervor. Paixão, é o nome. Deixo-a de lado agora.
Não ousarei dizer que nunca nos amamos, mas a ideia transpassa por minha cabeça. Teria sido real ou apenas um delírio meu? Será que imaginei seu sentimento por mim?
Concluo que, depois de tantas idas e vindas, ou você se diverte com minha desgraça ou precisa de um psiquiatra. Marque uma consulta para mim também.
A meta agora é fugir, para o mais distante que eu conseguir. Admito, não tenho vergonha. Vou fugir de você e das esquinas que me lembram de nós dois. Vou fugir da cidade que abrigou nosso relacionamento, que foi o palco da nossa felicidade.
Sempre me vi como a capitã que não abandona seu barco. Cá estou, em pleno oceano com a água até meu pescoço. Perdi a oportunidade de sair daqui quando ainda tinha chances de salvação. Resta agora afundar com tudo aquilo que protegi por tanto tempo. Pelo menos posso dizer que aguentei até o fim.
Chegou a vez do meu final.
Aos poucos, estou me desfazendo de coisas que nem deveriam mais estar comigo. Estão me esquartejando em praça pública. Como dói ver meu sonho ser descontruído, queimado, apedrejado, esquecido. Parece que, depois de tudo, eu deixei de enxergar a realidade por passar tempo demais sonhando acordada. Serei sempre uma romântica. Que maçada.
Talvez eu devesse ler mais Machado do que Jane Austen. Sei lá, talvez eu te encaixasse em padrões reais e não mais na minha complexa idealizacão. Eu tinha meu Romantismo sem tédio. Morria não de tuberculose, mas de saudade. Sou uma escritora às avessas.
Eu poderia começar um diário e, intimamente, contar todos os meus dias para você desde quando te perdi. Se te entregaria, eu não sei. Nem acho que você leria sequer a introdução. É tudo muito delicado para sua grossura.
Mas, ironicamente, eu sou o polo frio. Sou a intensível da relação que perdurou mesmo depois de terminada. E eu, sendo a mais dura, sempre amei com mais fervor. Paixão, é o nome. Deixo-a de lado agora.
Não ousarei dizer que nunca nos amamos, mas a ideia transpassa por minha cabeça. Teria sido real ou apenas um delírio meu? Será que imaginei seu sentimento por mim?
Concluo que, depois de tantas idas e vindas, ou você se diverte com minha desgraça ou precisa de um psiquiatra. Marque uma consulta para mim também.
A meta agora é fugir, para o mais distante que eu conseguir. Admito, não tenho vergonha. Vou fugir de você e das esquinas que me lembram de nós dois. Vou fugir da cidade que abrigou nosso relacionamento, que foi o palco da nossa felicidade.
Sempre me vi como a capitã que não abandona seu barco. Cá estou, em pleno oceano com a água até meu pescoço. Perdi a oportunidade de sair daqui quando ainda tinha chances de salvação. Resta agora afundar com tudo aquilo que protegi por tanto tempo. Pelo menos posso dizer que aguentei até o fim.
Chegou a vez do meu final.
sábado, 22 de outubro de 2016
Notas passadas
Como recordar é viver e eu sou uma pessoa de espírito velho que adora viver no passado, irei reproduzir aqui uma carta antiga que escrevi e encontrei recentemente. Obviamente, ela nunca chegou ao destinatário. Não tive a oportunidade de entregá-la. Enfim, são apenas pensamentos meus aos 16 anos.
"Meu amor,
Gostaria de entender o que acontece conosco. Vamos de um extremo ao outro em questão de minutos, até acabarmos brigando. E a pior parte é que, na maioria das vezes, os motivos são bobos e desnecessários. Não acho que gostemos de nos torturar, então por que discutimos tanto?
Ontem mesmo falamos do futuro que almejamos construir juntos, prometemos nos amar para sempre...e hoje quase terminamos por causa de um pequeno mal entendido. E foi para tentar melhorar nosso clima que decidi te escrever esta carta. Mas uma carta de verdade, feita à mão, dessas que ninguém mais faz hoje em dia.
Pessoalmente, acredito que somos o casal mais esquisito do planeta. Mas de uma coisa eu tenho certeza: somos o mais apaixonado também. Sei que as vezes - como agora - não parece, mas é verdade. Acredite em mim, não sou tão louca assim. Eu consigo te amar mais do que Harry Potter, e não é nada fácil ganhar daquele bruxinho.
Mas parece que é isso que você faz comigo...vai entrando cada vez mais na minha vida e conquistando vários pedacinhos do meu coração. Suspeito que você o queira por completo. Se for isso mesmo, fique feliz, está quase lá. Falta só uma partezinha. Depois você descobre qual é.
Me orgulho muito de sermos tão apaixonados. Adoro quando as pessoas percebem isso com apenas um olhar, dois estranhos deslocados que, por algum motivo, deram certo e ficam lindos juntos (só acho).
Não quero que isso acabe nunca, pois acredito que ainda vamos viver muita coisa juntos. Enfim, roubei esses minutos da sua vida apenas para dizer que te amo. É sempre bom relembrar, não é mesmo? "
"Meu amor,
Gostaria de entender o que acontece conosco. Vamos de um extremo ao outro em questão de minutos, até acabarmos brigando. E a pior parte é que, na maioria das vezes, os motivos são bobos e desnecessários. Não acho que gostemos de nos torturar, então por que discutimos tanto?
Ontem mesmo falamos do futuro que almejamos construir juntos, prometemos nos amar para sempre...e hoje quase terminamos por causa de um pequeno mal entendido. E foi para tentar melhorar nosso clima que decidi te escrever esta carta. Mas uma carta de verdade, feita à mão, dessas que ninguém mais faz hoje em dia.
Pessoalmente, acredito que somos o casal mais esquisito do planeta. Mas de uma coisa eu tenho certeza: somos o mais apaixonado também. Sei que as vezes - como agora - não parece, mas é verdade. Acredite em mim, não sou tão louca assim. Eu consigo te amar mais do que Harry Potter, e não é nada fácil ganhar daquele bruxinho.
Mas parece que é isso que você faz comigo...vai entrando cada vez mais na minha vida e conquistando vários pedacinhos do meu coração. Suspeito que você o queira por completo. Se for isso mesmo, fique feliz, está quase lá. Falta só uma partezinha. Depois você descobre qual é.
Me orgulho muito de sermos tão apaixonados. Adoro quando as pessoas percebem isso com apenas um olhar, dois estranhos deslocados que, por algum motivo, deram certo e ficam lindos juntos (só acho).
Não quero que isso acabe nunca, pois acredito que ainda vamos viver muita coisa juntos. Enfim, roubei esses minutos da sua vida apenas para dizer que te amo. É sempre bom relembrar, não é mesmo? "
domingo, 16 de outubro de 2016
Ele não passa
E assim, de repente, nosso amor tornou-se tão amargo quanto o café que bebo tão desesperadamente toda manhã. Não encontramos mais as palavras certas, perdemos o contato. Não há mais abraços para nos escondermos. As fotos foram apagadas, os diários foram queimados, as lembranças tentam escapar nas entrelinhas do Tempo. Será ele minha cura ou meu cárcere?
Vasculhando o submundo do meu armário, encontrei um álbum inteiro de fotografias que tirei de você. Em algumas você estava ciente das minhas lentes, em outras não. Chorei ao encontrar tal doce presente. Eu poderia fazer um portifólio só com suas caras e bocas.
Ah Tempo, onde está sua pressa? Minhas cicatrizes ainda não sumiram por sua insistência em manter-se parado. Você não deveria me ajudar a superar ou ao menos esquecer? Parece que não está cumprindo seu papel.
A quem mais posso recorrer nesse momento? Talvez eu esteja enlouquecendo. Rever tais fotografias foi como voltar ao passado...de uma maneira tão inacreditavelmente real, revivi aqueles momentos felizes que tivemos. Pude sentir a grama pinicando no dia em que fizemos um piquenique, o calor dos cobertores da noite em que passamos juntos, o abraço apertado que demos no primeiro minuto de um novo ano, a animação do show de um bom guitarrista que costumávamos ouvir. Seria apenas um delírio?
Espero conseguir, algum dia, narrar tudo isso sem derrubar lágrimas. Será que, depois da ajuda do Tempo, você continuará sendo meu tesouro particular ou tudo o que passou será perdido?
Tic...Tac...Tic...Tac...
Tic...
Tac...
Silêncio.
Vasculhando o submundo do meu armário, encontrei um álbum inteiro de fotografias que tirei de você. Em algumas você estava ciente das minhas lentes, em outras não. Chorei ao encontrar tal doce presente. Eu poderia fazer um portifólio só com suas caras e bocas.
Ah Tempo, onde está sua pressa? Minhas cicatrizes ainda não sumiram por sua insistência em manter-se parado. Você não deveria me ajudar a superar ou ao menos esquecer? Parece que não está cumprindo seu papel.
A quem mais posso recorrer nesse momento? Talvez eu esteja enlouquecendo. Rever tais fotografias foi como voltar ao passado...de uma maneira tão inacreditavelmente real, revivi aqueles momentos felizes que tivemos. Pude sentir a grama pinicando no dia em que fizemos um piquenique, o calor dos cobertores da noite em que passamos juntos, o abraço apertado que demos no primeiro minuto de um novo ano, a animação do show de um bom guitarrista que costumávamos ouvir. Seria apenas um delírio?
Espero conseguir, algum dia, narrar tudo isso sem derrubar lágrimas. Será que, depois da ajuda do Tempo, você continuará sendo meu tesouro particular ou tudo o que passou será perdido?
Tic...Tac...Tic...Tac...
Tic...
Tac...
Silêncio.
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Um final para chamar de feliz
- Nossa comunicação regride mais e mais a cada dia- diz, encarando-me com sua imensidão verde.
- Tenho dificuldade em conversar com alguém que diz não me querer em sua vida, retruco séria.
- Realmente disse isso em agosto- pela primeira vez, as lágrimas escorrem de seus olhos, e nãos dos meus.
- Agora é diferente. Eu não quero mais nada- depois dessa, o prêmio de mentirosa do ano será meu.
Desconfortáveis, olhamos para nossos próprios pés, pedindo para que o tempo passasse mais rápido. Aquela situação era insuportável, ainda mais depois dos últimos ocorridos.
- A culpa é minha. Nunca soube te cuidar, não fui bom para você- disse, sem coragem de encarar meus olhos.
Minhas sobrancelhas arquearam e fiquei indignada. Não estava certo. A culpa foi de nós dois, respondi. Nunca fui o exemplo de boa companheira. Apenas no dia seguinte me daria conta de que era a primeira vez que ele não me culpava pelos erros cometidos.
Ficamos sem graça, nenhum de nós esperava uma conversa profunda. As palavras não vinham e o incômodo espantava as poucas sobreviventes. Estávamos nos perdendo.
- Podemos ao menos manter a pacificidade?
- Não, disse. Óbvio que eu seria fria e grossa. Mas para falar a verdade, não seria mesmo possível. Jamais conseguiria fingir que está tudo bem, e até mesmo ter a pretenção de manter um diálogo saudável com o garoto que tem a chave de meu coração.
Balançou a cabeça, aceitou minha resposta. Por que ele sempre desiste de lutar e aceita? Desviava o olhar para mim e novamente para o chão. Queria me dizer algo, mas não sabia como. Eu podia ler as legendas de seu silêncio.
- Sinto falta de nosso mundo mágico, finalmente admitiu. Éramos felizes.
Sim, éramos mesmo. Beijei-o em resposta. Não havia nada a dizer.
Encarou-me, surpreso. Não esperava tal reação. Então nos beijamos do único jeito que sabíamos: de modo amargo, desesperado, tínhamos pressa de amar. Nunca soubemos apreciar os segundos, não seria diferente naquele momento.
Nos afastamos, mas não o suficiente. Estávamos inundados do outro, como nos velhos tempos. Afogaria-me nele todos os dias, se pudesse.
- Vamos embora, sussurrou. O hálito quente tocava minha face de forma suave, a esperança permanecia em sua voz.
- Para onde?
- Para longe. Qualquer lugar, não importa. Apenas vamos.
Olhei-o, surpresa. Não sabia qual era sua proposta, efetivamente. Seria um "para sempre" ou apenas uma aventura com prazo de validade? Seríamos só nós? Mas e o medo e a vergonha que antes o cercavam, simplesmente sumiram?
- Vamos.
Naquela mesma noite, entramos num carro com pouca bagagem nas mãos. Não tínhamos mapa ou destino certo, iríamos apenas dirigir pelas estradas existentes. Talvez ouvíssemos algum CD antigo, ou ficássemos apenas conversando na penumbra. Mesmo errados, estávamos finalmente juntos. Iríamos em frente, sem olhar para trás.
"Uma vez eu disse que te amaria para sempre. Estou apenas cumprindo minha promessa."
- Tenho dificuldade em conversar com alguém que diz não me querer em sua vida, retruco séria.
- Realmente disse isso em agosto- pela primeira vez, as lágrimas escorrem de seus olhos, e nãos dos meus.
- Agora é diferente. Eu não quero mais nada- depois dessa, o prêmio de mentirosa do ano será meu.
Desconfortáveis, olhamos para nossos próprios pés, pedindo para que o tempo passasse mais rápido. Aquela situação era insuportável, ainda mais depois dos últimos ocorridos.
- A culpa é minha. Nunca soube te cuidar, não fui bom para você- disse, sem coragem de encarar meus olhos.
Minhas sobrancelhas arquearam e fiquei indignada. Não estava certo. A culpa foi de nós dois, respondi. Nunca fui o exemplo de boa companheira. Apenas no dia seguinte me daria conta de que era a primeira vez que ele não me culpava pelos erros cometidos.
Ficamos sem graça, nenhum de nós esperava uma conversa profunda. As palavras não vinham e o incômodo espantava as poucas sobreviventes. Estávamos nos perdendo.
- Podemos ao menos manter a pacificidade?
- Não, disse. Óbvio que eu seria fria e grossa. Mas para falar a verdade, não seria mesmo possível. Jamais conseguiria fingir que está tudo bem, e até mesmo ter a pretenção de manter um diálogo saudável com o garoto que tem a chave de meu coração.
Balançou a cabeça, aceitou minha resposta. Por que ele sempre desiste de lutar e aceita? Desviava o olhar para mim e novamente para o chão. Queria me dizer algo, mas não sabia como. Eu podia ler as legendas de seu silêncio.
- Sinto falta de nosso mundo mágico, finalmente admitiu. Éramos felizes.
Sim, éramos mesmo. Beijei-o em resposta. Não havia nada a dizer.
Encarou-me, surpreso. Não esperava tal reação. Então nos beijamos do único jeito que sabíamos: de modo amargo, desesperado, tínhamos pressa de amar. Nunca soubemos apreciar os segundos, não seria diferente naquele momento.
Nos afastamos, mas não o suficiente. Estávamos inundados do outro, como nos velhos tempos. Afogaria-me nele todos os dias, se pudesse.
- Vamos embora, sussurrou. O hálito quente tocava minha face de forma suave, a esperança permanecia em sua voz.
- Para onde?
- Para longe. Qualquer lugar, não importa. Apenas vamos.
Olhei-o, surpresa. Não sabia qual era sua proposta, efetivamente. Seria um "para sempre" ou apenas uma aventura com prazo de validade? Seríamos só nós? Mas e o medo e a vergonha que antes o cercavam, simplesmente sumiram?
- Vamos.
Naquela mesma noite, entramos num carro com pouca bagagem nas mãos. Não tínhamos mapa ou destino certo, iríamos apenas dirigir pelas estradas existentes. Talvez ouvíssemos algum CD antigo, ou ficássemos apenas conversando na penumbra. Mesmo errados, estávamos finalmente juntos. Iríamos em frente, sem olhar para trás.
"Uma vez eu disse que te amaria para sempre. Estou apenas cumprindo minha promessa."
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Somos todos narcóticos
A poucas semanas de uma importamte etapa da minha vida, sinto-me mais acabada do que nunca. Simulados até enjoar, café para aguentar virar a noite estudando, remédios para recuperar o sono e gelo para aliviar a tensão de tanto escrever. Falando assim, parece a pior coisa do mundo. Mas confesso: amo cada momento desses. Talvez eu tenha me viciado, mas o que importa? O resultado final valerá a pena.
Sou uma daquelas pessoas que se apegam fácil às coisas e, até hoje, minha melhor droga foi um grande amor. Amei-o desde o primeiro dia em que o vi (sim, embora toscamente, essas coisas existem) e desde então necessito de doses cada vez maiores e mais regulares. O cheiro doce daquele perfume, o gosto bom de seus lábios, a temperatura elevada de seu abraço..era tudo que eu precisava.
Mas agora, depois de três anos nessa situação sem nenhuma chance de reabilitação, tenho que dar adeus. Como deixar para trás algo que me marcou e que ainda me move? Sinto-me dispersa no meio. Já prevejo uma séria crise de abstinência que me deixará com uma saudade louca, e não sei como vou me recuperar disso. Então penso na possibilidade de não precisar me despedir. Afinal, não precisaria acabar. Mas aí entro no limbo contruído ao longo desses anos. Juntos ou não juntos: eis a questão.
Talvez essa dúvida sempre permaneça em minha mente, junto com outro mero questionamento: será recíproco ainda? Sim, como boa libriana, gosto de questionamentos. Mas gosto ainda mais de respostas e, no momento, eu não as tenho. Frustração para essa noite.
Enquanto nada é definido, continuo alimentando o vício que me preenche. Sou mesmo uma serumaninha estranha. Nenhuma novidade. Talvez eu devesse experimentar beber gasolina da próxima vez.
Sou uma daquelas pessoas que se apegam fácil às coisas e, até hoje, minha melhor droga foi um grande amor. Amei-o desde o primeiro dia em que o vi (sim, embora toscamente, essas coisas existem) e desde então necessito de doses cada vez maiores e mais regulares. O cheiro doce daquele perfume, o gosto bom de seus lábios, a temperatura elevada de seu abraço..era tudo que eu precisava.
Mas agora, depois de três anos nessa situação sem nenhuma chance de reabilitação, tenho que dar adeus. Como deixar para trás algo que me marcou e que ainda me move? Sinto-me dispersa no meio. Já prevejo uma séria crise de abstinência que me deixará com uma saudade louca, e não sei como vou me recuperar disso. Então penso na possibilidade de não precisar me despedir. Afinal, não precisaria acabar. Mas aí entro no limbo contruído ao longo desses anos. Juntos ou não juntos: eis a questão.
Talvez essa dúvida sempre permaneça em minha mente, junto com outro mero questionamento: será recíproco ainda? Sim, como boa libriana, gosto de questionamentos. Mas gosto ainda mais de respostas e, no momento, eu não as tenho. Frustração para essa noite.
Enquanto nada é definido, continuo alimentando o vício que me preenche. Sou mesmo uma serumaninha estranha. Nenhuma novidade. Talvez eu devesse experimentar beber gasolina da próxima vez.
segunda-feira, 27 de junho de 2016
Desejadas incertezas
Quinze meses passaram, 450 dias voaram, 10800 horas me atormentaram com sua ausência, mas nada mudou. Meu cabelo cresceu, as olheiras aumentaram, o sorriso não é mais tão sincero, mas nada mudou. Tudo está diferente à minha volta e eu continuo exatamente igual.
Os sentimentos que tento esconder debaixo do meu cobertor, que tento lavar nos minutos demasiados debaixo do chuveiro, que tento ferir com os machucados em vão na minha pele continuam tão vivos quanto eram no passado. Não mudei. Não continuei. Não esqueci.
Ainda me lembro de tudo que fizemos...todos aqueles dias bons que compensavam os ruins, todas as risadas bobas, os beijos roubados, os olhares sinceros. Os mesmos olhares que trocamos todos os dias em meio ao caos.
A verdade é que estou perdida. Por quinze meses desejei você de volta, e agora tenho-te em meus braços. Um coração arrependido e cansado que tenta encontrar um lugar confortável para repousar. Talvez meu abraço seja aconchegante, mas não entendo porque voltou. Por que agora, 450 dias depois? Por que não antes, quando ainda era certo, quando ainda tínhamos chances, quando as cicatrizes não eram tão profundas? Tive que pensar muito antes de decidir quais palavras usar nesse texto, e ainda assim não parecem certas. Talvez sejam apenas suficientes para expressar o que sinto.
Não foram poucas as vezes que me pediu para voltar...machucou meu coração, sabia? Tudo aquilo que lutei para esquecer foi simplesmente despejado em mim. O que eu faço? Venho me perguntando isso repetidas vezes.
Percebi que sou medrosa demais para te deixar ficar e egoísta demais para te deixar partir. Acredite em mim, eu tentei esquecer tudo de ruim que nos aconteceu, afinal, o começo foi bom demais. Apenas o fim foi ruim, e meu coração insiste em se lembrar apenas dele. É, pode ser que eu seja meio rancorosa. Avaliando agora, sempre foi bom, porque eu gosto da estranha sensação de estar com você. É a única incerteza que me seduz. E, pelo que posso ver, também te atrai.
Mesmo que eu tente, nunca vou conseguir explicar a falta que sentia de estar nos seus braços, de entrelaçar nossos dedos, de ter seu cheiro por toda parte e poder sentir seu gosto. Você é maravilhoso, mas parece não saber disso. Seus tristes périplos pesam em suas costas.
Nunca nos faltou qualquer atributo essencial, mas mesmo assim você partiu. Por que voltar agora, depois de tanto tempo? Agora que ninguém nos apoia, tornando-se quase anti-ético estarmos juntos? Agora que tentei inutilmente te substituir por uma paixão fraca? Por que gosta de brincar tanto comigo?
Mesmo vendo que você mudou, não consigo não esperar o momento em que tudo irá se repetir, quando você me dirá mais uma vez que meu amor não basta. Que não sou suficiente. Foi algo que me disse algumas vezes, e parece que ficou marcado. Estamos tão perto e tão longe ao mesmo tempo. O mesmo beijo esquenta e esfria, o mesmo "eu te amo" fere e cura. Nem me lembra da última vez que disse me amar.
Vivemos em mundos tão diferentes...eu, que estou sempre sonhando, sempre num mundo paralelo, sempre acreditando em contos de fadas, quis te ter junto comigo. Mas você me preteriu, escolheu outros à mim. Por que insiste em me querer de volta agora? Se eu voltar, quanto tempo vai demorar até me jogar fora de novo? Qual a minha garantia de que será para valer? Sim, ainda dói.
Dói ainda mais porque nenhum dos meus sentimentos mudaram, e ninguém parece encaixar comigo melhor do que você. Te amo o suficiente para uma vida inteira de poesia, e talvez esse seja o problema. Já naquela época meu sentimento era muito maior do que a recíproca. Afinal, foi tão fácil para você me esquecer. Logo estava nos braços de outra garota.
Estou demasiadamente cansada para voltar a amar sozinha; o medo da queda é maior agora do que era no passado. Mas devo confessar: não há sentimento mais puro nem saudade maior do que a que tenho por você.
Eu daria tudo para, pelo menos um dia, deixar de ser a poeta e ser sua poesia.
Mesmo que eu tente, nunca vou conseguir explicar a falta que sentia de estar nos seus braços, de entrelaçar nossos dedos, de ter seu cheiro por toda parte e poder sentir seu gosto. Você é maravilhoso, mas parece não saber disso. Seus tristes périplos pesam em suas costas.
Nunca nos faltou qualquer atributo essencial, mas mesmo assim você partiu. Por que voltar agora, depois de tanto tempo? Agora que ninguém nos apoia, tornando-se quase anti-ético estarmos juntos? Agora que tentei inutilmente te substituir por uma paixão fraca? Por que gosta de brincar tanto comigo?
Mesmo vendo que você mudou, não consigo não esperar o momento em que tudo irá se repetir, quando você me dirá mais uma vez que meu amor não basta. Que não sou suficiente. Foi algo que me disse algumas vezes, e parece que ficou marcado. Estamos tão perto e tão longe ao mesmo tempo. O mesmo beijo esquenta e esfria, o mesmo "eu te amo" fere e cura. Nem me lembra da última vez que disse me amar.
Vivemos em mundos tão diferentes...eu, que estou sempre sonhando, sempre num mundo paralelo, sempre acreditando em contos de fadas, quis te ter junto comigo. Mas você me preteriu, escolheu outros à mim. Por que insiste em me querer de volta agora? Se eu voltar, quanto tempo vai demorar até me jogar fora de novo? Qual a minha garantia de que será para valer? Sim, ainda dói.
Dói ainda mais porque nenhum dos meus sentimentos mudaram, e ninguém parece encaixar comigo melhor do que você. Te amo o suficiente para uma vida inteira de poesia, e talvez esse seja o problema. Já naquela época meu sentimento era muito maior do que a recíproca. Afinal, foi tão fácil para você me esquecer. Logo estava nos braços de outra garota.
Estou demasiadamente cansada para voltar a amar sozinha; o medo da queda é maior agora do que era no passado. Mas devo confessar: não há sentimento mais puro nem saudade maior do que a que tenho por você.
Eu daria tudo para, pelo menos um dia, deixar de ser a poeta e ser sua poesia.
domingo, 29 de maio de 2016
Obrigada por existir
Chame de acaso, destino, combinado de última hora, não importa...finalmente, após tantos meses, nos vimos. Quando eu pensei em fugir, não dava mais tempo. Lá estava você, lindo como sempre, usando um belo suéter e o par de óculos que tanto gosto. Você, que tantas vezes eu imaginei e sonhei a respeito, parou bem na minha frente como se quisesse dizer: "ei, olhe para mim, sou real!".
Sim, você é. Mais do que isso, você é realmente incrível. Todas as imagens desconexas que construí a seu respeito durante esses meses se encaixaram perfeitamente na figura do garoto que timidamente me cumprimentou na porta do cinema. Agora tudo faz sentido...seu toque, seu cheiro, sua voz, seu rosto...está tudo conectado num ser humano só.
Meus pensamentos viraram emaranhados e mil borboletas voaram em meu estômago, mas não trocaria aquilo por nada, pelo contrário, desejo mais dias assim. Mais dias de emoção, mais dias de nervosismo, mais dias de você. Mais dias de nós. Mais dias em que eu me derreta em seu abraço, que eu possa te tocar apenas para provar para mim mesma que sim, você existe.
Toda a minha racionalidade, minha certeza a respeito dos meus sentimentos se esvaíram de meu corpo como um simples perfume volátil. Não me pertenciam mais. Em troca, um velho sentimento conhecido retomou seu lugar em meu peito. Será possível voltar a sentir tanta coisa num espaço tão curto de tempo? Pelo simples fato de ouvir sua voz, te ver sorrir, poder te tocar...isso foi suficiente para me fazer relembrar de tudo aquilo? Parece que sim.
Não sei mais o que dizer, devo apenas agradecer. Você arrancou meu sorriso mais sincero em muitos dias. Em todos os momentos, bons ou ruins, você me apoiou e ajudou. Você me mostrou que todo mundo tem algo de especial, até eu, mesmo com todos os defeitos. Você me ensinou que existe um outro tipo de amor, um pertencente ao lado bonito, que nos faz imaginar como seríamos daqui 30 anos. Eu imagino meu futuro...você imagina o seu?
Ou devo dizer o nosso?
quarta-feira, 11 de maio de 2016
Recaída noturna
A pior parte de tudo isso é lembrar que um dia você já foi meu. Que eu podia contar com sua presença, afinal, éramos "nós", não "você" e "eu". E agora? Chegamos ao ponto de você me prometer que não iria interromper minha vida. É absurdo, no mínimo.
Como pessoas que tanto se amaram conseguem conviver diariamente sem mesmo trocar um olhar, dizer o "olá" tímido? Como você consegue não pensar em mim, enquanto finjo não pensar em você? Como o bem-estar do outro passou a ser insignificante de uma hora para outra? Por favor, me diga: como você foi capaz de me esquecer?
Não serei hipócrita nesse ponto e dizer que não penso em você, é mentira. Mas não penso mais com tanta frequência. Obviamente, ainda me pego com os olhos presos no seu jeito de vez em quando, e tenho que me forçar a desviá-los. Tenho que me forçar a não pensar, não lembrar, não sentir.
É desumano. Insalubre. Uma tortura diária.
Por você não estar em minha vida, a poesia parece perder a rima, a música perde a melodia, os beijos perdem o gosto. Nem mesmo do seu cheiro, que caía tão bem no meu moletom, consigo me lembrar. Será que algum dia sua lembrança também irá evaporar-se da minha memória?
Por enquanto, tento apenas substituí-la. Estou em busca de novos gostos, novos cheiros, novas lembranças...você me perdoa? Sinto muito, mas te esperei por tempo demasiado, não há mais um minuto sequer sobrando. Seu tempo para mim também acabou?
Irrelevante tentar, você está preso a mim como uma tatuagem que eu tento esconder com maquiagem. Pouco importa o que sinto, o mundo pensa que te esqueci. Talvez eu devesse mesmo. Você aí fez tão bem por aqui. Está tão bom sem você que eu nem sei por que é que você não vem..
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
Saudades de um tempo que não volta mais
Que tipo de sentimento é esse que faz questão de corroer
minha alma e meu corpo? Que me tira o equilíbrio e a compostura? Que me faz
enxergar o belo até mesmo nos lugares mais sujos e horrendos? Que sentimento é esse que me impede de te
odiar – mesmo você merecendo – e me faz querer oferecer o que tenho de melhor?
Nosso relacionamento nunca foi estável...vivíamos na mais
rápida montanha-russa existente, cheia de curvas e quedas que testavam nossa
dedicação. Que me deixavam com mais coragem para continuar o percurso...para
entrar novamente na fila e começar tudo outra vez.
Acabou do mesmo jeito que começou...de repente, sem qualquer
preparo ou explicação. Foi a primeira vez que me derrubou, e ainda tenho as
cicatrizes resultantes na minha pele. Literalmente.
Depois de meses separados, nos reencontramos...refizemos a
amizade. Não durou muito; você logo desistiu. Pela segunda vez.
Então você decidiu voltar, disse até que ainda tinha fortes
sentimentos por mim. Eu, tola, acreditei em todas as palavras, e esqueci tudo o
que havia feito no passado. Me lembrava apenas da adrenalina da montanha-russa,
e não dos machucados que ganhara com ela. Me entreguei completamente, dediquei
todo meu tempo à você....e pela terceira vez, você se foi.
... - ...
Hoje acordei com notícias suas...secretamente, lágrimas rolaram pelo meu rosto. Sabia que algo estava por vir, e tinha consciência de que não suportaria outra queda. Mas ela veio. Mais precisamente, você veio.
Veio com frases poéticas e metáforas, logo abandonadas
devido à minha reação fria e direta. Mas não desistiu...fez questão de dizer
que ainda há sentimento, que sabe que está errado e que não vai mudar. Por que
não? Do que você tem medo? Diga-me o que sente que lhe direi o que penso...
Me divorciei de você mas não da sua lembrança...me pergunto
se algum dia ela irá me abandonar também. Se algum dia eu acordarei e não
verei o fantasma do seu passado, do garoto que eu costumava amar. Aquele que
não existe mais.
Sei que está aí em algum lugar, mas você insiste em
escondê-lo. Por que esconde aquilo que tem de melhor? Deixe que todos sejam
capazes de ver sua beleza, assim como eu fui um dia! Ainda sou...
Permita que alguém te ame tanto quanto eu amei...que te
cuide tanto quanto eu cuidei...que te olhe como eu ainda te olho, todos os
dias. E jamais faça com essa pessoa o que fez comigo...
domingo, 7 de fevereiro de 2016
Antes que você vá...
Talvez eu tenha entendido tudo errado, e você não pense em mim desse jeito. Ou de qualquer jeito. Talvez você nem saiba que eu realmente existo. Não seria a primeira vez...Tenho o péssimo hábito de desentender...de pensar nas pessoas e imaginar que elas também pensam em mim. Que também gostam de mim.
Você me deixa tão confusa...fala comigo o dia inteiro, diz que sou especial e me faz acreditar nisso...e depois vai ao cinema com uma garota que não sou eu. Mas quando ela desmarca ou está ocupada demais, é para mim que você corre, é em mim que se apoia como se eu fosse sua pessoa favorita no mundo. O que você quer?
Você diz que não quer me magoar, faz planos comigo e age como se fôssemos passar a eternidade juntos. E depois vai embora. E volta. E vai. E volta. Vai...
E eu fico.
Espero porque gosto de você, talvez até mais do que eu deveria. Gosto de como me dá mais elogios do que eu mereço, e como sempre parece que sentiu saudades de mim, e de como faz com que me sinta especial; mas odeio o quão instável me sinto com você. Como se eu tivesse que segurar fumaça com as mãos...como se esse sentimento fosse tão volátil quanto álcool.
Com você, sou minha forma mais pura, a pedra ainda bruta, uma superfície imaculada. Toda a máscara de menina forte, racional e centrada cai quando está por perto, revelando meu verdadeiro eu. A menina artista e sonhadora, que não se encaixa nesse mundo de aparências.
Me desculpe por ser tão sentimental, até um pouco possessiva às vezes. Eu só quero te guardar para sempre dentro de mim...desse jeitinho. Quero te registrar nas minhas entranhas antes que você vá...
Você me deixa tão confusa...fala comigo o dia inteiro, diz que sou especial e me faz acreditar nisso...e depois vai ao cinema com uma garota que não sou eu. Mas quando ela desmarca ou está ocupada demais, é para mim que você corre, é em mim que se apoia como se eu fosse sua pessoa favorita no mundo. O que você quer?
Você diz que não quer me magoar, faz planos comigo e age como se fôssemos passar a eternidade juntos. E depois vai embora. E volta. E vai. E volta. Vai...
E eu fico.
Espero porque gosto de você, talvez até mais do que eu deveria. Gosto de como me dá mais elogios do que eu mereço, e como sempre parece que sentiu saudades de mim, e de como faz com que me sinta especial; mas odeio o quão instável me sinto com você. Como se eu tivesse que segurar fumaça com as mãos...como se esse sentimento fosse tão volátil quanto álcool.
Com você, sou minha forma mais pura, a pedra ainda bruta, uma superfície imaculada. Toda a máscara de menina forte, racional e centrada cai quando está por perto, revelando meu verdadeiro eu. A menina artista e sonhadora, que não se encaixa nesse mundo de aparências.
Me desculpe por ser tão sentimental, até um pouco possessiva às vezes. Eu só quero te guardar para sempre dentro de mim...desse jeitinho. Quero te registrar nas minhas entranhas antes que você vá...
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