10:28. Parece uma boa hora para me arrepender. Pouco antes das 9, acordei daquele jeito preguiçoso bem característico de quem fez o que não devia. O quarto estava pouco iluminado, o suficiente para que eu visse a bagunça em que tinha me metido.
Sentei-me na cama. No chão, jaziam as roupas do dia anterior. Ao meu lado, ele dormia de modo sereno. Sabia que, ao acordar, iria me encarar com grandes olhos verdes. Pelo menos era o que eu lembrava. O quê eu tinha com olhos verdes, afinal?
A conhecida dor de cabeça já me acordava com suas pontadas. Maldito champanhe. Devia tê-lo dispensado enquanto podia. Tentando fazer o mínimo barulho possível, enrolei-me no lençol e parti na busca de um chuveiro. Definitivamente, precisava de um banho.
Ao entrar no banheiro, dei de cara com o espelho. Por incrível que pareça, eu estava ridiculamente apresentável. A maquiagem um pouco borrada, é verdade, e não havia mais a tonalidade do batom em meus lábios. Mas os cachos pendiam bagunçados nos ombros e não identificava vestígios de minhas olheiras.
Abri todas as gavetas em busca de um elástico. Ao encontrá-lo, enrolei o cabelo em um coque bagunçado e entrei no chuveiro. Apenas água gelada. Talvez eu merecesse. Sequei-me com a única toalha disponível, e a vergonha começava a ruborizar minhas bochechas. O que eu tinha feito?
Entrei no quarto, recolhi minhas roupas e vesti-as em silêncio. Onde é que estava meu sapato? Encontrei-os debaixo de algumas almofadas. Será que eu devia deixar um bilhete? Mas afinal, o que é que eu iria escrever? Melhor sair enquanto não havia ninguém acordado para me questionar a respeito. Dei uma última olhada para seu cabelo loiro e tentei registrar na mente todo aquele ambiente.
Saí na ponta dos pés, rumo à luz do dia que, mais tarde, eu iria descobrir que me julgaria.
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