segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Cinza infinito

   O texto de hoje começa com apenas uma palavra: câncer. Pouco simpático, não é mesmo? Também acho. A maldita palavra que me faz questionar se é apenas um obstáculo ou uma sentença. De todo modo, as dificuldades continuam aparecendo nos dias vazios.
    Doença infame. Qual sua necessidade? Pergunta um tanto quanto existencial, sei disso, mas tais questões devem ser levantadas. Afinal, para que serve uma multiplicação anormal de células? Malditas partículas. Por que não se comportam de maneira apropriada?
    Seria prudente fazer algo mais produtivo com o meu tempo, mas encontro dificuldades até em levantar da cama. Meu psicológico fraco não permite muita coisa. Restou ouvir todos os discos antigos que ganhei de natal e tentar manter a leitura em dia. As palavras têm perdido o significado. Nem sei como estou conseguindo escrever mantendo o mínimo de sentido.
    É meu dever manter os pensamentos positivos, mas tal missão é tão difícil. Como não esperar pelo pior? Ainda não fui capaz de decidir se, neste momento, a solidão cai bem. Eu deveria andar sozinha mais vezes para descobrir. Gosto do ar cinza da cidade. Junto com os prédios conza, as ruas cinza, os carros cinza, as pessoas cinza. Qual será a cor dos tumores?
   Não sei mais o que dizer e, sinceramente, perdi a vontade de falar. Deixarei que o silêncio responda por mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário